13 setembro 2008

Nunca deixei de crer

Eu nunca deixei de crer nos milagres de Deus, mas desde que me entendo por crente, desconfiei de todas as publicidades que faziam dos que praticavam a cura. Me constrange ver que a propaganda de quem diz que cura é maior do aquele que de fato cura.
Eu nunca deixei de crer nas profecias de Deus, mas desde que me entendo por crente que fico perplexo com aqueles que dizem que falam em nome de Deus coisas que Ele jamais mandou que dissessem.
Eu nunca deixei de crer na necessidade da fé em Deus, mas desde que me entendo por crente, me escandalizo com aqueles que O desafiam apenas para provar para os outros que crêem. A fé que dizem ter é sempre maior do que a fé que os outros tem. Me assusto com quem tem fé-demais.
Eu nunca deixei de crer na Igreja de Deus, mas desde que me entendo por crente é que sinto o cheiro fedorento dos corredores das denominações, com negociatas políticas, propinas "santas", conluios em prol da sã doutrina e mesas diretoras com "irmãos" que não se suportam concorrendo aos cargos.
Eu nunca deixei de crer na Bíblia, mas desde que me entendo por crente, é que me enjoa facilmente ver pessoas usando o texto bíblico despudoradamente, como se fosse um pé de coelho, uma ferradura ou pior, um alquimista a procura de soluções transcendentais, misturando a fé evangélica com macumbaria, e à lá Vinicius de MOraes, "abrindo o neruda e apagando o sol, misturando poesia com cachaça e acabando discutindo futebol". Vacuidade, nada mais do que isso.
Eu nunca deixei de crer na necessidade de evangelização, mas desde que me entendo por crente, fico ruborizado em ver nossas ações serem todas para "ganhar os perdidos" e não para ser expressão da graça de Deus em abençoar pessoas, ajudar o próximo e alterar o status quo, dando um pouco mais de significado as palavras amor, graça e igreja. De certa forma somos tarados pelos perdidos, embora não sejamos de fato apaixonados por pessoas.
Eu nunca deixei de crer no amor, mas desde que me entendo por crente, percebi que falamos muito sobre ele, mas o praticamos quase nada. O amor é apenas um pretexto para algumas de nossas ações, ascenções e pretensões. Para muitos o amor é cântico, é culto, é encontro e abraço, nada mais do que isso. Amamos o mundo, amamos o não crente, amamos as almas perdidas, amamos até o limite de nossos mais íntimos interesses. O amor que muitos cultivam só tem nome, poucos endereços e uma enorme capacidade de desmentir-se.
Eu nunca deixei de crer no que creio, por isso que prefiro não surfar nas ondas do que sempre vi, elas não me levam no lugar onde tanto desejo: a mente de Cristo.

2 comentários:

Edmarcius Carvalho disse...

otimo texto pr wellison... disse tudo o que "a nação evangélica" precisa ouvir... é hora de revermos nossos ritos, que de tão poluídos, desmitificam tudo aquilo em que cremos. Parabéns pela audácia e discernimento.

wellison magalhães disse...

obrigado amigo pela visita e pelas palavras, continuemos a luta.