18 agosto 2007

Uma religião que não tem graça!

Li um artigo do Pr.Ricardo Gondim, há pouco. Nele o autor escrevia sobre uma manifestação que um grupo de "cristãos" fez na frente de sua igreja, pedindo sua saída. Eram 90, orquestrados por outros pastores, que diziam defender a "sã doutrina".
Os gritos estridentes, os cartazes levantados, a turba inquieta e irreverente, eram fichinhas diante das palavras ameaçadoras que vociferavam. Naquele momento, um dos mais respeitados pastores do Brasil, sentiu-se envergonhado e triste. Como é possível, uma religião, que segue ao mestre do amor, o carpinteiro mais gentil da história, abrir espaços para manifestações tão cruéis, ímpias e vergonhosas, e pior, em nome de Deus?
Não me espanta. Vivi isso. Não experimentei cartazes, mas experimentei faces, rostos, acizentados, de gente que antes me amava e trocou o amor pelo ódio.
Não me espanta. Experimentei também. Vi "irmãos", mais, muito mais "santos" do que eu, defender a piedade e o "evangelho", com a mesma paixão, que os dissidentes petistas tiveram ao formar o PSOL.
Não me espanta. Vi pessoas que ouviram 10 anos sobre a graça e vida, através de meus lábios, de repente dizer que tudo aquilo tinha sido miragem, mentira, manipulação e morte.
Honestamente, não me espanta. Vi pessoas que me abraçavam e faziam juras de amor, covardemente me deixarem a pão e água, com o argumento terreno do "aqui se faz, aqui se paga".
Não me espanta. Não me espanta pessoas pegarem cartazes, darem tiro a esmo, tentando acertar homens de Deus que eles acreditam que não são mais, porque eles decidiram que não são mais.
Não me espanta. Não me espanta que homens e mulheres da igreja, são tão misericordiosos quanto Fidel Castro é com os que erram em Cuba.
Não me espanta, nem cartazes, nem vozes ferozes, nem gritos histéricos, nem esquecimentos instantâneos. O evangelho que muitos vivem só suporta seus próprios problemas, seus próprios pecados, seus próprios erros e seus próprios mitos.
No princípio pensava que o mundo havia acabado para mim, que o mundo que criei durante tantos anos era de verdade de mentira. Mas acordei, quando percebi que não sou o único, que não fui o único e que não serei jamais o último.
Todos os dias estão se levantando pessoas mais santas do que eu. Todos os dias estão se levantando pessoas que erram muito menos do que eu, e todos os dias estão se levantando pessoas que tropeçam muito menos do que eu, e portanto podem se encher de seus messianismos, capaz de "resgatar" a noiva das mãos ardilosas de pessoas como eu.
Não me espanta Pr.Ricardo Gondim, não me espanta que as vozes que hoje nos ovacionam, sejam as mesmas que nos vaiem. Não me espanta, que os abraços afetuosos, são as mesmas que esfolam nossa face. Não me espanta Pr.Ricardo Gondim, que aqueles que lhe viam como um dos grandes pregadores deste país, sejam os mesmos que não lhe desejam ouvir mais.
Não me espanta caro pastor, porque o evangelho que muitos vivem só consegue enxergar até onde a míopia espiritual permite, e ela não vai além de que seus próprios umbigos.
Que a gente não se canse de pregar, mesmo quando errar, cair ou tropeçar. Que a gente não se canse de pregar, mesmo quando ninguém mais nos abraçar ou aplaudir, aliás, nossa dieta principal abre mão de abraços e aplausos, que realmente, e decididamente, não combinam com quem deseja pura e simplesmente pregar o bom e puro evangelho da graça.

7 comentários:

Valeria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Valeria disse...

Entendo,compreendo e assino a crítica caro Wellison, até porque a crítica precisa revelar a excessão, e a excessão nesse caso é o que temos visto como regra geral: ausência de amor de verdade!
Mas não se esqueça,( não se esqueçam)existe gente que ama: na distância,na presença, na ciência dos fatos ou não, no ato discreto de não se manifestar no que não lhe é de competência, gente que ama porque simplesmente ama.
Ainda que nem estes existissem, caro Wellison, valeria a pena continuar fazendo e recomeçar tudo outra vez, não? "Começar tudo outra vez se preciso for", ou seguir do presente em diante, para que das cinzas o amor esquecido ou inexistente possa ressurgir. Mas,saiba:
EXISTE AMOR.
EXISTE VIDA.
EXISTE TUDO ISSO (E MUITO MAIS) PELO QUE UM DIA TUDO SE DEU.
Existe sim....Eis a esperança que nos ergue quando em mais um ciclo da história, todas as configurações vão se refazendo.
Existe sim...

wellison magalhães disse...

cara valéria, existe sim. Na excelência das excessões se confirmam a regra, é verdade, mas sobrevivemos ás agruras exatamente no fervor dessas excessões que nos levantam, nos incentivam e nos mostram que vale a pena continuar, e quem sabe mudar o mundo, para que as execessões se transformem em regras e possamos viver mais felizes de verdade, ou verdadeiramente felizes.

rosangelamotta disse...

Wellison, li e concordo com vc, convivo com pessoas assim o tempo todo, mas é no meio delas que precisamos mostrar o verdadeiro evangelho, a verdadeira graça. Não permitamos que ações desse tipo nos torne amargos, mas que sirvam para nos desafiar a viver a vida cristã cada vez genuinamente para que Cristo se torne vivo tb na vida delas. Somos agentes de transformação.
Abraços
Rosangela Motta

veraleocadio disse...

Querido pastor Wellison

Seu comentário me leva a uma reflexão ainda maior sobre o verdadeiro evangelho, o verdadeiro discipulado.

Fez-me lembrar também, do quanto somos radicais em relação à isntituições , dogmas e doutrinas.

Desconheço a causa de tais manisfesatações, creio que exceções existem, presos à convenções, mas creio que muitos desejam uma renovação doutrinária( Não sei se foi esse o motivo da manifestação)

Partindo do pressuposto de que em toda ação há uma intenção positiva, devo considerar que os manifestantes tinham objetivos bem específicos, fins bem estruturados.

Há pouco tempo, assisti à POSSE DE UM PASTOR "BATISTA TRADICIONAL", bem jovem e antenado com algumas mudanças doutrinárias.

O pastor emérito, e também pertencente à convenção , trouxe um cajado e o fez prometer que nunca se afastaria das normas doutrinárias da convenção.

Achei tão estranho, mas o jovem pastor, aceitando o desafio e imbuído do amor ao evangelho, atendendo ao chamado do Espírito Santo de trazer " vida" a uma congregação dilacerada, prometeu.

Acompanhei a trajetória desse jovem pastor. Na primeira vez que a igreja " bateu palmas" após um louvor, movidos pela alegria do Espírito Santo, mais ou menos 20% franziram a testa e comentaram " Esse está com os dias contados".


Sessões, e mais sessões, e o jovem ia a diante, cumprindo o ide e o faça de Jesus. Os conservadores, ou se acostumaram, ou sairam. O Ministro de Louvor ( nome pomposo...) saiu também " EU não vou me contaminar com determinados cânticos.."

O jovem pastor presseguiu, levantou seu rebanho, buscou as ovelhas perdidas.

Hoje, é respeitadíssimo dentro e fora da convenção.

Não devemos nos abater. Sabemos em quem temos crido, sabemos nossa identidade em Deus. Sigamos sempre para o alvo. Muitas pedras de tropeço irão surgir, façamos dessas pedras, pontes para atravessarmos e irmos adiante.

Muitos que seguiam Jesus e eram alimentados com sua palavra, estavam na multidão que ordenava " crucifique-o".

Mas, Jesus foi até o final. Devemos seguir os passos de Jesus e perseverar sempre.

cristininha disse...

Compreendo perfeitamente o que o pastor Wellison quer dizer eo que ele sentiu, acompanhei de perto o que vc passou.Tal foi a minha dor em assistir o "massacre" vivido pelo pastor, não conseguia acreditar como uma pessoa 100% amada num piscar de olhos se tornou 70% despresada.E o que plantou, o que edificou, o que ensinou, o que moveu,virou cinza?Perdeu o valor?Caiu no esquecimento e não sobrou nada?. Os muitos abraços que foram dados,no retorno das férias,foram dados apenas para acabar de enterrar o "punhal" já cravado nas costas.E os mandamentos do Senhor, não julgueis para não serem julgados e o siguinificado da palavra perdão tão citado na bíblia.É a lamentável "aminésia espíritual"

Jorge disse...

É assim mesmo... Você ama, você ampara, você serve. De repente, porque você não faz - por convicção plena de cumprimento do seu dever pastoral - o que alguns 'empolados arrogantes querem e estes se transformam em claque, em turba, em militância xiita a pedir a sua cabeça. O que você fez, o que você é já não contam mais. Só contam, então, os interesses mesquinhos dos que querem prevalecer a qualquer preço.
Ai, como machuca ouvir nas vozes da memória os "meu querido", "meu amado", "mano" embalados pelos punhais traiçoeiros da mentira e dos interesses escusos.
"Dá-nos graça, Senhor, para aprender com estes para continuarmos a semear o teu evangelho de amor, de paz e de graça porque - apesar de alguns - sempre haverá os que valem a pena..."