04 setembro 2007

Não concordo!!!

A liberdade de expressão chegou as raias da indelicadeza, da sandice e da imoralidade. Depois da liberdade para o "nada a ver", onde todas as coisas perderam ser valor, para expressões do tipo "isso não tem nada a ver", concluindo e desmnoralizando qualquer argumento um pouco mais concreto, agora é a retomada do "não concordo".
Me impressiona ainda como as pessoas não concordam com tud0. Algumas das quais nem sabem porque não concordam, apenas não concordam.
Não concordo com o que você diz! mas não dizem nada ao contrário. Não concordo com o que você faz, mas escondido faz igual. Não concordo com o que você pensa, mas tão vazio que está não pensa. Não concordo.
Criou-se um apelo a não concordar com nada, mesmo sem ter algo para colocar no lugar. Deste modo nossas igrejas, nossas instituições políticas vão ocupando espaços, como falei de repleta sandice. Apenas dois exemplos:
O PT era terminantemente contra a CPMF. Bateu o que o pode, no governo de FHC, impediu ao máximo votações para que o projeto deste imposto não fosse a frente. Hoje, o mesmo PT que governa o país, diz que não pode viver sem esse bendito cofrinho, e que ninguém pode, nem pensar em diminuir a alíquota de cobrança, senão o governo quebra. Eles não concordavam, mas agora concordam com o que não gostavam.
Nas Igrejas acontece o mesmo, mas as vezes os pensamentos tem a ver ou com teologia, ou prática religiosa. Há muita gente, como eu, que abomina o divórcio. Eu como a maioria, acredito que casamento foi feito para começar e terminar com o "até que a morte nos separe". Entretanto, casamento nao é e nunca foi feito por um só, mas por duas pessoas que pensam diferente e tem, muitas vezes, desejos tão paradoxais, que enfrentam o fim do relacionamento. Aqueles que experimentam a dor da separação sabem que isso não é nada bom, mas jamais vai poder dizer que isso não pode acontecer, ou que quando acontece é o fim de tudo. Mas há aqueles que pensam assim, até um dia o deles acabarem também, pondo ao fim o "não concordo".
Há aqueles que olham para os filhos dos outros e dizem "meu filho nunca abandonará o evangelho, como eu vejo acontecer com outros. Pais que deixam isso acontecer são culpados, eu não concordo. Se isso acontecer a culpa é minha". Até o dia que o filho cresce e diz: "Não quero mais saber do evangelho" e ele, com cara de paspalho, é obrigado a conviver com sua ortodoxia e heterodoxia fulminada pela própia vida.
Antes de dizer que não concorda com nada, ou com tudo. Pense na vida, na história, nos limites da graça, do amor, e da tolerância cristã, tão presente na vida do Nazareno.
Antes de "cuspir" diante de todos a sua arrogância em não concordar com nada, que tal pensar que tudo neste mundo é possível, até mesmo fazer aquilo que um dia achou que jamais faria.

Um comentário:

prlevi disse...

botafoguense!

te amo!

cuide-se!

econtinue discordando.

na jornada,

LEVI ARAÚJO