13 fevereiro 2009

A teologia da prosperidade é demoníaca’
Depois de reaparecer na televisão, agora ligado à Igreja Mundial do Poder de Deus, Ronaldo Didini repudia parte do que acreditou no passado.Nos últimos meses, a notícia de que uma igreja assumiria o controle de mais um canal da TV brasileira causou burburinho. Trata-se da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), comandada pelo seu apóstolo Valdemiro Santiago, egresso da Igreja Universal do Reino de Deus. A denominação assumiu o controle da Rede 21. Um dos grupos neopentecostais com crescimento mais rápido no país, a IMPD iniciou as transmissões disposta a se expandir ainda mais. O slogan da nova emissora – “Vem pra cá, Brasil” – já sugere o caráter do empreendimento. O carro-chefe da programação são os cultos, cheios de imagens de exorcismo e curas, promovidos por Valdemiro. Na telinha, ele chama as pessoas à plataforma, abraça-as e chora com elas, num ambiente que mistura comoção e alguma histeria. O investimento da IMPD em mídia é mantido em sigilo absoluto, mas comenta-se no mercado que chegaria a 4 milhões de reais mensais.
Tamanho investimento vale a pena? Para o pastor Ronaldo Didini, sim. Quando a Igreja Universal comprou a Record, há quase 20 anos, foi ele, na época pastor da denominação de Edir Macedo, quem esteve à frente das negociações. Naquela emissora, comandou o 25ª hora, programa que marcou época na radiodifusão evangélica. Dali, ligou-se à Igreja Internacional da Graça de Deus, comandada pelo missionário Romildo Ribeiro Soares, onde colaborou na implantação da Nossa TV e da Rede Internacional de Televisão (RIT). Agora, depois de servir de interlocutor e sacramentar o negócio entre o Grupo Bandeirantes e a Mundial, ele é o gestor da Rede 21. Inteligente e bem articulado, Didini apresenta o programa Hora Brasil, exibido diariamente entre meia-noite e 1h30. “É uma continuação do que fazia no 25ª Hora”, define.
Aos 51 anos, casado e pai de duas filhas, Didini considera a televisão um poderoso instrumento para a evangelização. Sua trajetória chama a atenção não apenas por sua especialidade em TV evangélica, mas também por sua migração denominacional. Tendo peregrinado por igrejas como Universal, Graça e agora a Mundial do Poder de Deus – fora o período em que esteve em Portugal, onde montou a dirigiu a Igreja do Caminho –, ele conhece como poucos o mundo do neopentecostalismo. “Não nego meu passado, mas amadureci”, diz o religioso. Hoje, Didini é um detrator da teologia da prosperidade, que, segundo ele, é um câncer que está consumindo a Igreja brasileira. “E muitos pastores a defendem abertamente em rede nacional. É o que existe de pior na televisão do país”, critica. O religioso recebeu a reportagem de CRISTIANISMO HOJE em sua nova casa no bairro do Morumbi, em São Paulo:
CRISTIANISMO HOJE – O senhor tornou-se uma referência para a m´dia evangélica por ter comandado o 25ª Hora, exibido pela Rede Record nos anos 1990. Como foi aquela experiência?RONALDO DIDINI – Foi uma experiência riquíssima, tanto do ponto de vista religioso como sociológico. Aquela foi a primeira vez que pastores evangélicos discutiram abertamente com a sociedade todos os problemas do nosso tempo. Quebramos barreiras, pois deixamos claro que o evangélico é um cidadão como qualquer outro. Ali, falávamos abertamente sobre qualquer assunto, como sexo e política, coisas então consideradas tabu em nosso meio, sem perder o compromisso com os valores da Palavra.

Como o senhor avalia a programação evangélica feita hoje no Brasil?
O que existe de melhor, a meu ver, é a combinação que a Igreja Mundial do Poder de Deus faz entre proclamação da Palavra e demonstração do poder de Deus. Também gosto de alguns programas que estudam a Bíblia nas madrugadas. Um exemplo são os programas de Silas Malafaia naquele horário, onde ele recebe pastores e gente interessante. Os peixes mais graúdos são os que estão ligados na madrugada. Quando alguém prega com mansidão e de maneira equilibrada nesse horário, em que a pessoa liga a TV porque precisa ouvir a Palavra, não há quem não se quebrante.
Com a entrada maciça dos evangélicos na televisão, não há uma “guerra santa” pela audiência?Não creio. Por mais que o homem fale, quem está no controle da Igreja é o Espírito Santo. Mas podemos fazer uma leitura diferente do que acontece no Brasil. Em 1985, acabou o regime militar. As pessoas esperavam por algo novo, desejavam mudanças, inclusive na esfera espiritual, já que a presença católica era hegemônica. A abertura também trouxe esse novo momento, em que as igrejas passaram a ter liberdade para usar os meios de comunicação. Houve imaturidade, inconsistência? Sim. A sociedade e a Igreja não souberam medir isso. Por outro lado, a liberdade foi também exacerbada. Há dez anos, as crianças estavam dançando na boquinha da garrafa por causa da TV. Hoje, amadurecemos e não se vê mais isso. Acho que o mesmo aconteceu com a Igreja Evangélica em seu crescimento; agora, é preciso colocar os pés no chão.
Comenta-se à boca miúda que R.R.Soares paga R$ 5 milhões mensais à Bandeirantes e que Malafaia desembolsa outro tanto. Há informações de que sua igreja teria um investimento em TV estimado em 4 milhões por mês. Essas cifras são reais?Não acredito que sejam reais, até porque, nesse caso, o mercado seria super-inflacionado e não haveria condições de se pagar tanto. O próprio mercado publicitário não teria condições de concorrer com esses valores. Vivo no meio e posso dizer que falam de números muito mais altos que os reais.

O Hora Brasil tem a mesma proposta do 25ª Hora?
O Hora Brasil funciona como se fosse um termômetro. Obviamente, do 25ª Hora para cá, a sociedade evoluiu muito. Hoje, cerca de 30% da população é evangélica. Eu chamo a sociedade para dialogar sobre assuntos religiosos, médicos, problemas sociais. Estou fazendo jornalismo e já pude observar algo interessante: uma preocupação generalizada com a preservação da família. Pessoas com as mais diferentes linhas de pensamento estão preocupados com o destino das famílias, com seus valores – ao contrário do que a mídia em geral incentiva, que é a falta de compromisso, a infidelidade conjugal, o individualismo e a libertinagem, que tanto marcam nosso tempo. Mas o Brasil não é uma Sodoma ou Gomorra. Isso é resultado do esforço feito ao longo dos anos por homens e mulheres de Deus para pregar o Evangelho, e que levou ao boom dos crentes na mídia. Os especialistas criticam esse avanço, mas ele é uma âncora de valores há muito esquecidos e desprestigiados. Infelizmente, esse avanço tem dois lados: o positivo, do qual já falei, e o negativo, que são os escândalos. Mas Jesus já disse que escândalos viriam. Temos que nos preocupar com os “ais” que os sucederão, para que não sejamos seus causadores. É preciso haver limites.

Quais são esses limites?
Fiquei assustado com o que fez o pastor Marcos Feliciano em seu programa. Ao mesmo tempo em que pregava o Evangelho, ele anunciava terrenos para as pessoas comprarem em prestações, dizendo que Deus abençoaria aquela compra. Isso ultrapassa o limite. Ao mesmo tempo em que se anuncia a salvação, vincula-se isso à venda de produtos para receber a bênção de Deus. Lógico que aquele comercial está sendo pago. Feliciano ultrapassou a barreira ética. Para mim, isso é o que existe de mais vulgar na teologia da prosperidade. A igreja precisa de fundos? Sim. Mas de onde vêm? Dos dízimos e ofertas. Apenas eles têm fundamento bíblico. Sem esse pastor perceber, creio que o próprio Deus o fez tropeçar para expor a nudez desses cruéis ensinos. A teologia da prosperidade é um câncer no segmento evangélico.

Por que o senhor critica tanto a teologia da prosperidade?
Porque ela é demoníaca. Penso que os líderes evangélicos deveriam se unir e dar um basta nesses ensinos. A teologia da prosperidade bateu no fundo do poço e já deveria haver uma conscientização de muitos líderes acerca disso. Todos que optam por esse caminho ficam satisfeitos apenas em ir bem financeiramente, não ter sofrimento de nenhum tipo. Querem ficar independentes, achando que não precisam de mais nada. Os pregadores da prosperidade não têm contato com o povo e não enxergam isso, porque são pobres, cegos, miseráveis e estão nus. O homem não tem que ditar regras a Deus e dizer a ele como e a que horas fazer o milagre. Minha crítica a essa teologia é que ela proclama aquilo que é terreno e não o que é sagrado, sobrenatural. Com o tempo, tal mensagem se desgasta e o resultado está aí. Eu fui missionário em nações muito pobres da África. Por que a teologia da prosperidade não funciona lá? Para responder essa questão, o teólogo da prosperidade não está preparado. Se não funciona lá, ela é antibíblica. Jesus falou que é mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Ora, se a teologia da prosperidade fosse bíblica, todos seriam ricos e quase ninguém acabaria salvo. Pregar e acreditar na teologia da prosperidade é como construir um castelo na areia ou fazer um gigante com pés de barro – mais cedo ou mais tarde, tudo cairá.

Mas durante muito tempo o senhor militou em igrejas propagadoras da teologia da prosperidade… Quem mudou, suas ex-igrejas ou o senhor?
Não mudei o meu pensamento. Foi a obra do Espírito Santo que me amadureceu. Sou muito grato por tudo que recebi na Igreja Universal e na Igreja da Graça. Não tenho nada contra essas instituições e nem contra seus líderes. Minha diferença é doutrinária. Uma coisa é enxergar, e outra é mudar, se for preciso, sair do sistema, quando ele se torna mais poderoso do que a Bíblia. O catolicismo está cheio de exemplos assim. Todos os padres sabem que não é uma bula papal que pode dizer que o líder é infalível ou que Maria subiu ao céu com seu corpo. Mas o sistema Católico Apostólico Romano requer que essa doutrina seja aceita, e muitos a defendem em nome desse sistema.

O senhor não teme ser considerado ingrato por seus ex-líderes?
Como eu disse, nada tenho contra Macedo ou Soares. Tanto, que quando eu saí da Universal, foi como que se perdesse meu chão. A Iurd para mim era mais importante que qualquer outra coisa na vida; eu amava aquele ministério, dava minha vida por ele. Depois, conheci a Igreja da Graça. O missionário Soares me ajudou muito naquela época, pastoreando minha vida por dois anos. Foi um verdadeiro pai, preocupando-se com minha alma, porque eu não estava bem espiritualmente. A teologia da prosperidade me fez um mal tremendo. Continuei caindo e bati no fundo do poço quando abri a igreja lá em Portugal [a Igreja do Caminho, inaugurada por Didini em Lisboa em 2003]. Estava sozinho com minha mulher e duas malas de roupas começando uma igreja na periferia. Então, aprendi que ou dependia de Deus ou o meu ministério ia acabar. Deus me ensinou muito naqueles cinco anos, até me colocar ao lado do apóstolo Valdemiro.

12 fevereiro 2009

"E POR FALAR DE AMOR... A DEUS"

Precisamos reaprender a arte de amar.

O que significa então amar a Deus, à luz da Palavra?

MARCOS 12.28-30
Um mestre da Lei que estava ali ouviu a discussão. Viu que Jesus tinha dado uma boa resposta e por isso perguntou: — Qual é o mais importante de todos os mandamentos da Lei? Jesus respondeu: — É este: “Escute, povo de Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças.”

O QUE SIGNIFICA AMAR A DEUS DE TODO O CORAÇÃO, DE TODA A ALMA, DE TODO ENTENDIMENTO E TODA A FORÇA ?

1) Amar a Deus de todo o coração significa que a sua relação com Deus deve ser o que move a sua vida

2) Amar a Deus de toda a alma significa que no seu amor por Deus, conserve o que tem valor eterno!

3) Amar a Deus com todo o entendimento significa que no seu amor por Deus, permita seus pensamentos serem dominados por Ele.

4) Amar a Deus com toda a força significa que no seu amor por Deus, permita que tudo o que você faz para Ele, de fato glorifique a Ele.

11 fevereiro 2009

Questiúnculas da religião.Ricardo Gondim
Não quero mais lidar com certas perguntas. Aliás, prefiro não gastar o pouco de lucidez que me sobrou com questiúnculas religiosas. Chega, a fila tem que andar.
Recuso-me a responder
se o dízimo é mandamento válido no Novo Testamento; se pessoas divorciadas podem casar-se novamente;se masturbação é pecado;se os cristãos devem guardar o sábado;se maldição pega em crente;se Jesus transformou água em suco de uva ou vinho, vinho;se Golias tinha mais de três metros de altura;se Jó existiu de fato ou era um personagem poético;se o Anticristo já nasceu;se sexo anal é pecado;se tatuagem é do diabo;se crente pode usar piercing;se a circuncisão deve ser praticada por cristãos;se batismo deve ser em nome do Pai, Filho e Espírito Santo ou só de Jesus;se um nascido de novo perde a salvação ou “uma vez salvo, salvo para sempre”;se o Arrebatamento vai ser antes ou depois da Grande Tribulação;se os índios isolados da Amazônia vão para o inferno;se é certo alguns pastores se darem o título de apóstolo;se Deus aprova o controle de natalidade;se o diabo tem direitos legais sobre quem comete qualquer deslize;se é maldição beber um "chopps" (sic) na sexta-feira.
Soli Deo Gloria

08 fevereiro 2009

ESBOÇO DE SERMÃO

7 PASSOS PARA NÃO SE DAR PASSO ALGUM

TEXTO MATEUS
4.1-11Então o Espírito Santo levou Jesus ao deserto para ser tentado pelo Diabo. E, depois de passar quarenta dias e quarenta noites sem comer, Jesus estava com fome. Então o Diabo chegou perto dele e disse:– Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras virem pão. Jesus respondeu:– As Escrituras Sagradas afirmam:“O ser humano não vive só de pão,mas vive de tudo o que Deus diz.”Em seguida o Diabo levou Jesus até Jerusalém, a Cidade Santa, e o colocou no lugar mais alto do Templo. Então disse:– Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, pois as Escrituras Sagradas afirmam:“Deus mandará que os seus anjoscuidem de você.Eles vão segurá-lo com as suas mãos,para que nem mesmo os seus péssejam feridos nas pedras.”Jesus respondeu:– Mas as Escrituras Sagradas também dizem: “Não ponha à prova o Senhor, seu Deus.”Depois o Diabo levou Jesus para um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e as suas grandezas e disse:– Eu lhe darei tudo isso se você se ajoelhar e me adorar.Jesus respondeu:– Vá embora, Satanás! As Escrituras Sagradas afirmam: “Adore o Senhor, seu Deus,e sirva somente a ele.” Então o Diabo foi embora, e vieram anjos e cuidaram de Jesus.

Introdução
A moda atual é dar passos para qualquer coisa... Existem princípios espirituais que não podemos confundir.
Não devemos cair na armadilha de pensar que tudo que reluz é ouro!
A luz de Mateus 4.1-11 aprendemos...

1) O JEJUM É BÍBLICO, SOBRENATURAL, MAS NÃO É MÁGICO POR SI SÓ (Mateus 4.1-2)

2) NEM TODA PROVA DE FÉ VEM REALMENTE DA PARTE DE DEUS (Mateus 4.3)

3) NEM TODO LUGAR RELIGIOSO SIGNIFICA SER ESPIRITUALMENTE SADIO, SEGURO OU SANTO (Mateus 4.5)

4) NÃO É A BÍBLIA, CITADA, QUE É SOBRENATURAL, É A BÍBLIA VIVIDA COMO PALAVRA DE DEUS (Mateus 4.6)

5) NEM TODO SÍMBOLO ESPIRITUAL É SINAL DE ESPIRITUALIDADE SADIA (Mateus 4.8a)

6) A PROSPERIDADE QUE SE ANUNCIA PODE NEM SEMPRE SER SINAL DA PRESENÇA DE DEUS (Mateus 4.8b)

7) NEM TODA PROPOSTA BOA, SIGNIFICA QUE VEM DE FONTE BOA (Mateus 4.9)

07 fevereiro 2009

A vida é pesada ou leve para você?

Acordar pela manhã e perceber o sol ainda fraco e o vento levemente suspirando sobre sua face, é, sem dúvida, uma experiência inconfundível. Olhar o mar calmo, as montanhas verdejantes e o pôr do sol, ao fundo nestas mesmas montanhas, também. Mas a vida não é sempre assim.
Há pessoas que acordam com maridos bêbados gritando, ou mulheres histéricas na beira da cama. Há pais que não dormem, por conta de filhos desavairados que irrompem a madrugada atrás das mais frívolas experiências.
A vida pode ser leve para alguns e pesada para outros. A vida não é matemática. Não soma-se 2 mais 2, igual a cinco. Nela a divisão, a multiplicação, a subtração e a adição demonstram resultados inesperados, portanto nunca exatos.
Como você tem enfrentado a sua vida? Como tem sido suas noites ou seus dias?
Preocupo-me tremendamente com as promessas que são feitas, insistentemente por pastores, bispos, apóstolos, ou outros títulos possíveis, que a vida do filho de Deus, tem que ser sempre vitoriosa, e que Deus não permitirá que nenhum mal caia sobre seus filhos.
Não, nenhum mal não, mas o Senhor nunca nos enganou sobre a vida difícil que levaríamos. Portanto, se Deus nunca quis lhe enganar, porque deixar-se enganar por outros?
A vida em alguns momentos, querido leitor, é um deserto, como foi com o povo de Israel, no livro do Êxodo, ou com Jesus, no começo de seu ministério. A vida pode ser uma bonança só, como experimentou este mesmo povo, nas águas em Elim.
Como você tem enfrentado a sua vida? Como você tem enfrentado suas noites?
Quero aproveitar, para dar-lhe três dicas importantes, que serão úteis na sua caminhada:
1) Enfrente a vida. Só os covardes não vencem.
2) Tenha medo. Só os orgulhosos caem.
3) Seja verdadeiro. Só os cínicos se destroem.
A vida hoje para você pode estar difícil, ou leve, não importa. Tudo pode mudar, de uma hora para outra, o que não pode acontecer é você viver acreditanto que a vida é 2 mais 2. Deus não vê assim, não pensa com a nossa lógica e portanto não vai dar as mesmas respostas que normalmente a gente ouve por aí...aproveite e ouça então a Ele, seja em que momento for.

31 janeiro 2009

Tomo posse hoje, do que não é meu

Ao contrário dos jargões de alguns pregadores, hoje tomo posse, mas do que não é meu, realmente.
Assumo a responsabilidade de pastorear, em nome de Jesus, a Primeira Igreja Batista do Grajaú, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Há alguns meses, mais especificamente de outubro para cá, eu e a Igreja entramos num processo de conversas, orações e deliberações, a fim de descobrir a vontade de Deus para nossas vidas.
Depois de um tempo de espera, veio o convite desta comunidade batista, para que eu seja seu pastor.
Aceitei o desafio, de pronto, porque acredito no meu chamado e na minha vocação. Acredito ainda que este novo ministério não é meu, pertendce ao Senhor, aquele é de fato, Senhor da Igreja.
Portanto, contrariando os jargões evangélicos da atualidade, tomo posse hoje no que não é meu. Tomo posse do que não me pertence. Tomo posse daquilo que é de fato, do Senhor.
Hoje, 31 de janeiro de 2009, começo um novo momento em minha vida, e de minha família. Pastorear. Ajudar pessoas a crescerem na fé, ajudar a comunidade a crescer em número de participantes, ajudar a comunidade a ser relevante, como creio deve ser uma Igreja.
Hoje tomo posse, e espero poder cumprir aquilo que Deus ordenar que eu cumpra. Abraços a todos que oram e torcem por mim.

23 janeiro 2009

Em uma parceria com a Lidere, a editora Thomas Nelson está trazendo Max Lucado ao Brasil. O autor de “Aliviando a Bagagem” e “Derrubando Golias” chegará ao país em julho de 2009 para ministrar em 5 diferentes capitais. Esta é uma oportunidade única de assistir ao vivo a poderosa mensagem de um dos autores mais lidos em todo o mundo. Pastor da igreja Oak Hills, uma das maiores dos Estados Unidos, Max Lucado compartilha a Palavra de Deus de forma pessoal, alcançando em cada livro o coração dos leitores.
Com mais de 50 milhões de livros vendidos em todo o mundo, Max Lucado é um dos casos raros onde o autor transita com facilidade entre públicos das mais diversas idades, etnias e credos. Já escreveu livros de sucesso tanto para crianças quanto para adultos; de historinhas ilustradas até comentários bíblicos.
No Rio de Janeiro, Max Lucado participará de um evento especial no dia 25 de julho, com entrada gratuita, onde ministrará a palavra de Deus com a participação de consagrados cantores da música gospel nacional.

17 janeiro 2009

CONVITE


Terminou!!! Mas...ficou...


Ficou a imagem de uma mulher que desistiu da idéia do casamento, porque queria liberdade. Entende-se por liberdade sair, viajar, com sua amiga lésbica, que gostava dele e declaradamente apaixonada.

Ficou a imagem do Copolla, ou Coppola, sei lá, que deixou a mulher com quem casou sem amar, para depois de 800 anos, resolver ir atrás do amor de sua vida.

Ficou a imagem de um mordomo bandido, sequestrador, mentiroso, descobrindo "novos" talentos, para perpetuar sua sórdida história.

Ficou a imagem de um pai bêbado, derrotado e abandonado, com um passado promíscuo e com um futuro assustador, desamparado e não perdoado por NINGUËM - aqui se faz, aqui se paga.

Ficou a imagem de famílias destruídas, desarrumadas e em frangalhos...
Ficou a imagem de uma ex-presidiária que sai ao encontro de "dois maridos", e um filho, vivendo uma forma estranha de ser família.
Ficou a imagem de um gay "convertido" a masculinidade, e uma mulher "convertida" ao lesbianismo...empate.
A novela terminou, mas deixou mensagens claras e objetivas sobre o que o autor pensa sobre a vida em sociedade. Infelizmente ele não mentiu em nada, a questão contudo não é o que vemos ou não vemos, é apenas o que concordamos ou não...Pense nisso, enquanto milhões aguardam "O CAminho das Indias".

11 janeiro 2009

O que menos precisamos é de religiosidade fria e engessada!

A religião povoa a mente humana há muito tempo. A sociedade precisa dela para viver e organizar-se. Em tempos antigos e remotos, as pessoas se associam em interesses religiosos para compartilhar algum tipo de demostração de fé.
A religião, por si só, tem autenticado atitudes frenéticas e insanas ao longo da história. Milhares de guerras registradas foram alimentadas pela crença num ser divino.
Há mais de vinte anos penso dentro de um contexto religioso. Foi na Igreja (protestante), que vivi a minha adolescência, juventude e agora, a fase adulta. Vi, revi e convivi com bastante gente que entendia o que lia nas Escrituras, mas era incapaz de traduzir em gestos o que lia.
Com isso, fui me convencendo, cada vez mais, de que precisamos muito pouco dessa religião, seja ela qual for. O que precisamos de fato é desenvolver uma capacidade de pensar a vida cristã, com a mente do Cristo.
Neste sentido, desfazer-se de tudo que nos prende, nos escraviza e tole é condição essencial.
Abrir os olhos e enxergar a vida do lado de fora das quatro paredes da religião, também é uma boa medida. Afinal de contas, nos escravizamos num templismo exacerbado e crônico. Veja se não é assim? Queremos que tudo se reduza ao templo. Gastamos milhões no conforto do templo, enquanto milhões de afegãos morrem e outros tantos em Ruanda, são esquecidos. Gostamos do templo porque ele nos abriga. Nos abriga e nos obriga a ficar longe da realidade que nos cerca.
Quão difícil será cumprir o IDE de Jesus, enquanto torcemos para que todos apenas escutem e cumpram o VINDE. Contudo, o VINDE não é a nós, mas ao Cristo, enquanto o IDE é para nós, e não para o Cristo.
Precisamos abrir mão do que nos impressiona, para vivermos aquilo que impressiona, de fato, o coração de Deus.
Chega de tratar a Igreja como uma empresa privada, e a membresia como meta a ser alcançada. A religiosidade chegou a um tempo em que esvaziou o púlpito com palavras que apenas agradam, ao invés de mudar a vida dos que ouvem. A religiosidade tenta sepultar os sonhos mais singelos de se viver a fé, à luz da Palavra viva e abençoada de Deus.
Além disso, a religiosidade transformou a Igreja num clube para alguns, numa firma para outros, num rotary para um grupo e numa comunidade fria e engessada para muita gente.
Eu quero convidar você a experimentar a vida cristã, baseada na vida simples, pura e meiga de Jesus. Uma vida cristã baseada num ministério alternativo, aberto e sério do Nazareno. Uma vida cristã sem gesso, sem gelo, só com graça...de todas as formas que você puder compreender esta palavra.

03 janeiro 2009

Por quê todo ano novo fazemos promessas velhas?

Se papai-noel existisse, ele estaria de saco cheio. Todo ano as milhares de crianças fazem os mesmos pedidos, e pior, até adultos entram nessa "farra do boi", e põem nas cartinhas umas linhas com alguns de seus pedidos. Pior que os pedidos são as promessas, repetitivas e nunca cumpridas. Como papai noel não existe (desculpem as crianças que entram no blog! Mas ele realmente nào existe!), fica a cargo de Deus ouvir os pedidos e as promessas.
Recordo-me quantas já fiz. Recordo-me quantas pessoas já as fizeram.
Todas as vezes que chega um ano novo a conversa é a mesma: a partir de hoje faço dieta. A partir de hoje emagreço. A partir de hoje estudo mais. A partir de hoje lerei a Bíblia todos os dias. E por aí vai.
Até quando seremos movidos por paixões momentâneas e promessas que serão facilmente desfeitas e nào cumpridas?
Até quando teremos que conviver com nossas intermináveis cartinhas de pedidos, e nossas intermináveis caixinhas de promessas (não as de Deus, mas as nossas).
O ano novo chegou e quais as promessas novas que você realmente fez? Pense nisso, não seja tào infantil na sua vida pessoal, emocional e espiritual. Aprenda a não transformar sua história em conto de fadas, nem transforme Deus em papai-noel. Eu não consigo ver Deus vestido de vermelho, nem descendo numa chaminé, mas infelizmente consigo ver-nos pondo meias nas janelas, como se o ano novo fosse de fato mágico e transcendente.

25 dezembro 2008

Perplexo com esse tal de antagônico


Como somos complexos. COmo somos antagônicos. Não sei se todos são, na verdade, sei o quanto eu sou complexo, complicado, antagônico.
Sou capaz de rir e chorar sobre situações iguais. Sou capaz de gostar e não gostar das mesmas coisas.
Me impressiona o quanto posso ser amado por tantos, e odiado por alguns. Como é possível alguém olhar para você e desejar andar do seu lado, enquanto outros não querem ouvir o seu nome?
O antagonismo se alastra em mim. A felicidade toma conta um dia, e sem dificuldade posso lembrar das coisas que me causam tristeza.
Não me envergonho dos meus antagonismos, eles me limitam, me põem no chão. Me fazem dependentes de Deus.
Exatamente este antagonismo que me faz enxergar homem é capaz de me fazer sentir um super-herói, portanto, a sua existência é que evita que um dia eu pule de um prédio, achando que posso voar.
O antagonismo nosso de cada dia é incapaz de ser coerente. É capaz apenas de ser um verbo "to be" , ou seja, ser e estar.
Mas nào me desespero. Olho para Jesus e vejo que ele era seguido por uma multidão. Alguns queriam abracá-lo, tocá-lo, enquanto outros desejam matá-lo. Jesus vivia o antagonismo de ser santo para alguns e filho de Belzebú para outros.
E o que falar de Paulo? Amado em Filipos, odiado em Tessalônica. Amado por Lucas, destratado e abandonado por Alexandre, o latoeiro. Mas também, Paulo vivia o ápice do antagonismo, que o permitiu "fazer o que não queria, e deixar de fazer o que devia".
Meus antagonismos continuam, enquanto continua minha jornada nesta terra. Contudo, desejo profundamente que Deus continue cuidando, para que eu consiga ser coerente com a minha fé, com a minha chamada e com o amor que tenho por Ele.
Você, contudo pode gostar ou não do que sou, ou do que escrevi. A bem da verdade, sempre existirão os que acham o máximo o que eu digo, enquanto outros não acham a menor graça...ponham na conta desse tal de antagonismo.

24 dezembro 2008

Para um natal feliz, seja feliz!!!

Este é o desejo que todos falam a todos, todos os anos: feliz natal! Quantas pessoas ouvem isso e já, automaticamente, pensam que a noite natalina precisa realmente ser feliz.
Mas,pensemos, sem demagogia e nem pieguismo exagerado: como vai ser o natal de algumas milhares de famílias catarinenses? E a turma de Cardoso Moreira? E o pessoal de Campos?
Como será o natal de alguns meninos que dormem nas ruas, ou homens e mulheres que nao possuem casas para morar?
Como será o seu natal, separado da esposa ou do esposo? Brigado com o filho ou os filhos?
Como será o seu natal endividado, sem roupas novas, sem nada novo, ou melhor, com os altos juros, a cada dia um novo saldo devedor?
Me diz, com sinceridade: você tem pensado em ter um feliz natal, mesmo sabendo que está enfermo? Ou ainda, será que tem como se ter um feliz natal, sozinho?
O natal de muita gente depende de como as coisas vão estar ao redor. A verdade, e a bem de toda verdade, o natal para a maioria das pessoas apenas tem cheiro de natal, porque a gordura açucarada exala da cozinha as quentes rabanadas, ou o forno exibe-se aquecendo um pernil, que será devorado com avidez.
O natal de algumas pessoas só é feliz quando tudo vai muito, mas muito bem. Não há dividas, nào há dores, não há brigas, só amores.
Eu quero um natal feliz, mesmo sabendo que nem tudo que sonhei aconteceu. Quero experimentar um natal feliz, mesmo sem comprar a roupa da marca que desejei. Quero um natal feliz, mesmo sabendo que algumas dores invadem minha alma ou ainda meu corpo.
Descobri que quero um natal sem nenhuma preocupação com coisas externas, um natal que expresse minha fé na razão do natal, que é Jesus. Quero um natal onde possa orar com minha família, porque já faço isso, com frequência com eles.
Um Natal feliz, muito feliz. Feliz porque Deus, com sua graça me ama e ama mais do que todos. Feliz, porque sei em quem tenho crido e estou bem certo que é poderoso, pra guardar o meu tesouro, até o dia final.
Desejo a você um natal sem nada que lhe confunda o olhar. Um Natal sem árvores, sem luzes, sem cores, sem sabores. Quero desejar a você um natal puro, onde Cristo vai ser glorificado, exatamente porque será lembrado em casa, "que um menino nos nasceu, um filho se nos deu...". Meu natal será feliz, exatamente porque Ele me faz feliz de verdade.

15 dezembro 2008

UM TESTEMUNHO DE FÉ



Este é o testemunho de Imacullée Ilibagiza. Uma Ruandesa que sofreu com o genocício, que matou milhares de pessoas em seu país.
Infelizmente, não tem tradução sua entrevista. Contudo, Imacullée, que hoje trabalha nos Estados Unidos, na ONU e tem um site, fala sobre a luta racial em seu país. Fala sobre como pessoas estavam sendo perseguidas e mortas. Ilibagiza narra como foi salva, através da instrumentalidade de um pastor, vizinho da família, que pôs 7 mulheres trancadas em um pequeno bannheiro. A fé em Deus, fez com que esta mulher fosse salva. A esperança num Deus que pode fazer milagres transformou a história de Imacullée Ilibagiza. Mais uma vez peço desculpas por não ter tradução. Prometo que buscarei informações maiores sobre Imacullé, e posto aqui no blog.
Mais uma dica, há um livro publicado no Brasil sobre a história de fé de Imacullé Ilibagiza, vale a pena saber mais sobre esta mulher.

03 dezembro 2008

O que se falam por aí?


O pr.Lécio Dornas escreveu recentemente o livro "O que a Bíblia diz, sobre o que todo mundo diz". O texto trata dos provérbios populares que são comumente usados e abusados por todos, profeticamente escritos nos pára-choques de caminhões estrada a fora, e filosóficamente dita por "sábios" de plantão. Ele usa os provérbios e faz um paralelo com princíios bíblicos que produz ensinamentos verdadeiros.

Pois bem, escrevo de um consultório médico. Trouxe minha mãe para um tratamento que faz vez por outra num excelente profissional, em Niterói. Como o tempo de espera lá se compara ao tempo de espera nos telefonemas para os call centers, vim previnido. Trouxe meu computador para poder continuar a escrever (estou preparando um novo livro).

Fiquei no corredor, na espera. Enquanto minha mãe aguardava, ouvia as conversas num pequeno espaço, esprimido entre os pacientes que esperavam.

O que as pessoas conversavam? Bem, o que as pessoas falam por aí.

Uma elogiava a novela das oito. Dizendo que a "fulana"trai o fulano na cara de pau! "E olha que ela nem é uma "gostosona"(sic) de primeira", dizia uma senhora enfurecida. Outra já dizia que se encontrasse o Malvino Salvador, nao sabia o que faria: "Ele me tira do sério!", dizia a senhora.

Uma outra dizia, "olha essa dor!!! Saravá meu pai", já deixando claro sua profissão de fé!

Outra reclamava do tempo aguardando...a reclamação era engraçada: POxa!!! Esse médico demora demais com os pacientes". Num tempo em que médicos atenciosos estão se tornando raros, a reclamação soava até como ironia.

Falavam sobre o a viagem, sobre os outros, sobre tudo...sobre novela, sobre doença (ah sim, sobre doenças então- a impressão que dá é que é uma comunidade do orkut "eu tenho um tipo de doença como voce!". Ah, sim, e não faltavam o comentário da novela das duas, que passava na televisão ao alto. Uma paciente chamou a atençao de todo mundo, quando uma cena inclinava para o barraco dos barracos. Ah ta, os atores são assim na vida real! Decretava outra.

E sobrou até para a vida particular do Pedro Bial (uma informava que ele tinha 5 filhos, um com cada mulher diferente - claro que não levo em conta ser ou não ser isso verdade).

As pessoas não tem nada dentro de si mesmas. Precisam de atores para salvar seu imaginário. Precisam de pessoas para para incendiar suas emoções. Precisam de fatos novos para renovar seus comentários. Precisam de fofocas para difundir seus mundos. Precisam de notícias para valorizar seus mundos.

Bem, é aí que entramos. Muitos de nós fazemos esta mesma agenda pessoal.

É aí que decidimos transformar nosso tempo em bom tempo. Isso porque podemos falar de tudo de novelas, de negócios, de futebol, sem que sejam as razões de nossas conversas. Temos que mudar o foco dos "papos"que acontecem por aí. Que tal falarmos de gente que sofre e que precisa de ajuda? Que tal falar de Santa Catarina e suas dores? Que tal nos incomodarmos com aqueles que foram feridos na alma e que precisam de nós? Que tal pensarmos um pouco na vida real que nos cerca? Que tal deixarmos um pouco a vida da TV que tanto nos assedia e procurarmos ver, de fato a realidade que nos cerca?
Que tal deixarmos de apreciar os pregadores da televisão e valorizarmos o pregador que põe o terno, apaixonado para falar a noite, numa capela pequena numa roça por amor a Deus e o evangelho?

Que tal sermos sinceros conosco mesmos, e pensarmos o quanto tem sido dificil para nós vivermos neste mundo sem fazer diferença? Muitos cristãos no mundo real, na vida real, tem sido apenas atores do mundo gospel, número na estatística do IBGE, registro nos anais da igreja e símbolo de uma religião que cresce no país.

O que as pessoas falam por aí, demonstra o que elas são e tem por dentro. O que nós somos por aí também.

28 novembro 2008

Me dê uma razão para crer em Deus!

Existem frases que chocam os cristãos e acabam por criar seleumas desnecessárias. O pior é que algumas frases ditas, ou pressupostos ensinados, por vezes distorcidos, são difundidos por religiosos evangélicos, meio inocentemente, meio ignorantemente, sem nem mesmo averiguar-se se tal frase foi realmente dita.
Me recordo quando dizia que "adorei alguma coisa", tinha sempre um ""bom" cristão para me corrigir e dizer que "adorar somente a Deus!". Quantas vezes ouvi que Marx era um demônio, simplesmente porque acreditava que a "religião era o ópio do povo". E é. Scorcese foi "queimado"vivo, depois do filme "A Ültima Tentação de Cristo", porque mostrou um Cristo mais humano do que os outros haviam acostumados a ver. Interessante, que mais humano do que Mel Gibson resolveu demonstrar impossível. Sobre o filme, da década de 80, milhões de cristãos ficaram horrorizados.
Na verdade, gente para defender a "sã doutrina" não falta. E defendem das formas mais bisonhas e vergonhosas que se pode ter. Nunca leram John Stott, portanto não descobriram que "Crer é Também Pensar".
Pessoas já me perguntaram, em meio a suas crises pessoais profundas, a seus abismos inesgotáveis: Pastor, qual a razão que eu tenho para crer em Deus?".
Nunca fiz dessa frase um pretexto para fogueiras "santas", nem para concílios unilaterais. Nunca imaginei disciplinar alguém, porque num momento de dor e de deserto imaginou perder a vontade de crer em Deus, ou mesmo esqueceu a razão.
Quando pessoas, que sofrem no deserto, perdem a visão do alto, é a hora certa de sermos agentes da graça, para ensinar-lhes o caminho da volta. É neste tempo em que centenas e centenas de milhares de pessoas questionam Deus, não por causa dele, mas por conta das milhares de religiões que professam o seu nome, que temos a missão de responder com autoridade "a razão que existe em nós".
É tolice imaginar que todos que falam algo contra Deus estão fazendo porque são ateus, ou filhos do diabo. Alguns estão fazendo como filhos desesperados, querendo chamar a atenção de Deus. Ele sabe como tratar seus filhos. Impressionante como queremos "proteger" Deus dos ímpios e dos maus.
Quando alguém pergunta "Qual razão eu tenho para crer em Deus? ", é a hora de dizer: NENHUMA, QUE TAL APENAS A QUE DEUS É CAPAZ DE AMAR ALGUÉM, COMO VOCÊ, QUE NEM ACREDITA QUE ELE LHE AMA DE VERDADE.

21 novembro 2008

NOVO LIVRO


Depois publicarei alguns trechos deste livro, que acredito irá abençoar milhares de pessoas.

16 novembro 2008

Com quem falar?

Muitas pessoas que passam pelo meu blog não deixam mensagens. Muitos escrevem para meu email (pr.wellison@gmail.com), para expressar suas mensagens, seus dramas, suas lutas e seus elogios.
Fico feliz, vez por outra de meus textos abençoar a vida de muita gente. Fico ainda mais feliz de saber que posso ser um ombro amigo, um ouvido ou um chegado desses que sofrem ou que vêem o evangelho como eu vejo.
Mas, me incomodo com o número cada vez maior de pessoas que vivem sozinhas. Sem ter com quem compartilhar absolutamente nada. Não são assim porque querem, mas por que não encontram quem compartilhar.
As vezes situações de nossa vida nos empurram para a solidão forçada. Com medo de expor, de se ferir, magoar ou entristecer, algumas pessoas se fecham, como numa concha, e suas histórias ficam trancadas dentro delas. A única questão é que nào produzem pérolas, como as conchas, mas doenças, emocionais, que por vezes, se somatizam de formas diferentes e surpreendentes.
Abra-se, seja amigo de alguém, e tenha um amigo de verdade.
Se desejar, estou por aqui, ou lá, pelo meu email, ou quem sabe pessoalmente, a depender da distância que temos.

01 novembro 2008

AMIGOS OU SERVOS?

Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, diz o poeta. Jesus disse assim "não vos chamo mais de servos, mas de amigos". Davi era amigo de Jônatas, e eles se amavam tanto, que a mente perturbada de alguns sugere mais que uma amizade. Na sociedade que vivemos, tão explorada e exploradora por sexo e atitutes contraditórias aos principios de Deus, ter este tipo de amizade é impossível ser pura e honesta.
Com os anos vamos aprendendo muitas coisas. Aprendendo a ganhar amigos, a preservar amigos, a recuperar amigos e saber quem são amigos, e é claro, quem não são.
Amigos para mim são aqueles que nos amam. Não são aqueles que falam o que gostamos. Não são aqueles que nos dão tapa nas costas, que nos convidam para um almoço informal. Amigos não são aqueles que vão em todos os nossos aniversários ou que lembram de nós na noite de Natal. Amigos não são os que nos dão carona, nem aqueles que não lhe desejam mal. Ah, amigos não são aqueles que o elogiam o tempo inteiro, nem mesmo aqueles que dizem que se orgulham de você. E com o tempo fui percebendo que amigos não são os que fazem promessa, nem mesmo aqueles que lhe dão presentes.
Com o tempo, vamos apredendo o que significa ter amigos e o que significa ser amigo. Percebemos também que algumas vezes não fomos, e em outras nao foram conosco. Enxergamos o que é perder amigos e ganhar novos.
A vida é assim, os amigos para mim surgem e se mantém com as características abaixo:
Amigos são aqueles presentes todas as vezes que você precisa, mas sempre que eles realmente podem.
Amigos são aqueles que nos dão presentes, quando querem dar, e quando podem dar.
Amigos são aqueles que nos elogiam, quando eles crêem que somos realmente o que eles estão elogiando;
Amigos são aqueles que lhe põe para cima, porque eles simplesmente querem vê-lo no alto, e não porque querem se apropriar de sua subida;
Amigos são aqueles que choram por você, e mais do que isso, choram com você;
Amigos são aqueles que nunca concordam com seus erros, mas estão sempre prontos para recomeçar tudo outra vez;
Amigos são aqueles que lembram as datas sem cobrança, sem necessidade de lembrar;
Amigos são aqueles que circulam a sua vida, durante toda a vida, sem a necessidade estúpida de estar presente 24 horas nela;
Amigos são aqueles que lhe trazem boas palavras, que lhe ampliam a alma com a sensibilidade que energiza nossa caminhada;
Amigos são aqueles que lhe ouvem, que lhe falam;
Amigos são aqueles que não cobram, que doam, sem a necessidade de provas diárias de amizade.
É verdade, amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, como disse o poeta, mais amplo do que isso, amigos não são servos, são apenas amigos ou amigos.
Jesus é quem estava certo. Para que chamar de servos, aqueles a quem queremos amigos? Amigos não são para nos servir, mas para servirmos. Amigos não são nossos escravos emocionais, mas companheiros na jornada da vida.
Bem, espero encontrar mais amigos que estejam dispostos a aceitar minhas virtudes, corrigir meus erros, sacudir a poeira, dar a volta por cima e compartilhar durante os anos da caminhada a doce alegria de ter gente por perto, a quem podemos de fato chamar de amigos.

21 outubro 2008

2a edição do Simplesmente Igreja


se você já leu este livro, se conhece, e desejar deixar um post aqui, eu agradeço. Veja a nova capa do livro. Vou postando aqui os emails que chegam falando do livro, quero estimular você a escrever ou quem sabe adquiri-lo. Abraços.

18 outubro 2008

Dados sobre Pornografia

A pornografia dentro das igrejas é real.
12% de todos os sites são pornográficos.
$97.06 bilhões é a cifra que a pornografia movimenta mundialmente.
O Brasil é vice na produção de vídeos pornôs, perdendo apenas para os EUA.
Por dia, 68 milhões de pessoas procuram por pornografia pelos sites de busca, praticamente 25% de toda procura mundial.
Por dia, 2.5 bilhões de e-mails são enviados e recebidos com conteúdo pornográfico, 8% de todos os e-mails do planeta.
De 100% da internet, 42.7% são freqüentadores de sites pornográficos e conteúdos relacionados.
Os downloads por mês de conteúdo pornográfico são 1.5 bilhões, 35% de todos os downloads da internet.
100.000 sites oferecem pornografia infantil.
10% dos adultos do mundo inteiro admitem estar viciados em pornografia na Internet.
39 minutos é o tempo que passa até ser feito um novo filme pornográfico nos Estados Unidos.
Você possui alguma pergunta? Em 2008 estaremos indo. Não queremos tirar o direito de qualquer pessoa ver pornografia. Isso não funciona e não é correto. No entanto temos algumas sugestões e respostas para as igrejas e pessoas que querem saber mais sobre a pornografia e como que ela atinge sua vida.
Fiquem ligados.
Dados retirados do site sexxxchurch.com - Este site é voltado para ajudar pessoas que tem problemas com pornografia, homens, mulheres, jovens, adultos, adolescentes. O trabalho é interessante, porque tenta trabalhar com as diversas taras que as pessoas apresentam. Lá é possivel encontrar muitos testemunhos de pessoas que vivem esta amarga experiência.

14 outubro 2008

Chega de Saudade

Minha infância foi moleca. Brinquei de tudo que podia, e conseguia. Fiz, tudo mal, mas fiz, com a maior alegria. Gostava de soltar pipa, rodar pião, jogar bola e bola de gude, nada porém tinha excelência, algumas coisas eram sofríveis mas me divertia. Não tenho saudade da minha infância, tenho apenas nostalgia.
Na minha adolescência tentei fazê-la a mais adolescente possível. Ria de tudo, sofria aos berros com algumas coisas que me afetavam, e agia com irresponsabilidade natural em alguns momentos. Não tenho saudade da adolescência, tenho apenas nostalgia.
Cheguei a minha juventude e desfrutei de uma outra forma. Casei-me cedo, e me tornei pastor quase ao mesmo tempo. Fui auxiliar já aos 24 anos de idade, e isso me causou alguns transtornos, assumi uma responsabilidade muito grande e pior, assumi uma postura legalista, em diversos momentos. Mas gostei da minha juventude, porque ria, fazia rir, assumia novas posturas, caía, levantava e aprendia. Foi maravilhosa a minha juventude. Mas nao tenho saudade dela, tenho apenas nostalgia.
Agora, na quarta década, assumo um outro perfil. Tenho que ser maduro, preciso ser resolvido em algumas questões que foram dramáticas em minha vida. A maturidade contudo serve para fazer você olhar para trás e saborear a vida com um outro gosto.
Hoje me aconchego a minha propria alma e percebo que a única coisa que dispenso de minhas fases passadas, são as seguintes:
a) Da minha infância dispenso a criancice de querer tudo para mim. De achar que o mundo gira ao redor de meu nome e que sou o centro de tudo. Essa infantilidade que muitos carregam anos a fio, mesmo tendo deixado a infância para trás, gera as mais ridículas e patéticas cenas dentro das igrejas, dentro das casas, dentro das empresas e tudo o mais. Adorei ser criança, mas concordo plenamente com Paulo "me tornei homem, deixei as coisas de menino". Quantos insistem em querer que o mundo gire ao seu redor o tempo inteiro, como se fossem o centro do universo?
b) Da minha adolescência dispenso a futilidade, irresponsabilidade e a volubilidade. Por quê depois de adulto vou querer comer e beber nos restaurantes da vacuidade? Por quê me tornaria escravo de opções vazias, que jamais vão preencher as mais profundas necessidades de minha alma? A irresponsabilidade também nào tenho saudades. Por quê jogar fora o que construiu, por decisões insanas? Por quê debochar de tudo que está a sua volta? Por quê transformar a Igreja num palco de minhas subidas e descidas desvairadas, sem compromisso nenhum com a fé que digo professar? E Chega de ser volúvel. Não posso sair por aí acreditando em todo o vento de doutrina que sopra sobre meu rosto e que vira as páginas de minha teologia. Me tornei adulto exatamente para não ficar sendo levado daqui para ali em todos os modismos teológicos e mais, em modismos existenciais que me chamem para vivenciá-los, não quero mais isso.
c) Da minha juventude dispenso o legalismo. Como me envergonho das vezes que tive que obedecer a determinadas regras impostas, que enfeiavam minhas mais singelas convicções de fé, de vida e alma. Era um jovem idealista, mas me deixei levar por uma religiosidade crocante, que fazia barulho ao ser mastigada com sabor. Eu dispensava "música do mundo", e tinha a "obrigação" de fazer meus amigos entrarem para os quartos nos retiros de carnaval, afinal de contas, eu era pastor. Desprezo meus deslizes, mas sobre eles digo que me sinto muito mais confortável do que com meu legalismo. Explico: O legalismo me impunha fazer coisas para os outros verem, que jamais me mudaria por dentro. Os meus deslizes me impuseram dor, vergonha e mágoa, mas sempre alterando um pouco, e para a melhor, aquilo que eu era por dentro.
Portanto, chega de saudades, ou nostalgias. O melhor da vida é para ser vivida na plenitude do tempo. Quero agora viver o melhor dos meus dias, até que outros erros me corrijam a caminhada, até que minha teologia seja fortificada pela fé singela, simples na pessoa de Deus, até que minha família cresça e amadureça para correr os riscos que eu também um dia corri para crescer. HOje, definitivamente, não é tempo de saudades, no máximo de nostalgia, para logo depois acordar e perceber que "nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, o que Deus preparou para aqueles que o amam". E eu O amo.

06 outubro 2008

Eleito

Em Nilópolis foi eleito para prefeito da cidade o sr.Sergio Sessim, o número 11. Em segundo ficou o sr.Manoel NECA, e em terceiro, para surpresa de muitos, o sr. Alessandro Calazans.
Bem, o que esperamos do novo prefeito, ou o que eu espero:
1) Limpe as ruas da cidade - ponha lixeiras espalhadas em cada esquina, e ensine a população a ser mais educada;
2) Pavimente (BEM!) as ruas da cidade. É díficil entender que quanto pior forem as ruas, menos as pessoas querem transitar no município? Ruas esburacadas, muitos quebra-molas;
3) A cidade não é pensada estratégicamente. Não é possível uma estrada pequena, como a Getúlio Vargas, ser o gargalo da cidade. O novo prefeito não pode permitir que por lá passem, além dos carros que vêm de Nova Iguaçu e os locais, Vans, kombis, ônibus, caminhões, táxis, motos, bicicletas, carroças, etc. É óbvio que vai ter um colapso nesta via.
4) Como é possível ter um calçadão, mais parecendo uma pocilga, numa cidade que já foi chamada de "princesinha da Baixada"? É um lugar que causa dois sentimentos: raiva e nojo! Gente demais esbarrando em você, barracas demais, camelôs demais, lixo demais, os produtos das lojas na calçada (Demais!), material pendurado demais, fios demais espalhados, barulho demais dos DVDs e CDs piratas - O calçadão é uma pocilga!
5) ONde estão as árvores da cidade? NAs sementes que ainda nem foram plantadas.
6) Alguém pode dizer ao novo prefeito que cor miserável de cidade é esta?
7) O HOspital Municipal precisa ser reequipado. É claro que continua uma demanda muito grande, em função do grande número de pacientes que vêm de outros municípios, e nào são poucos, então ponha o Hospital Alcebíades para funcionar para a população.
8) Crie postos de saúde para atender nos bairros carentes;
9) O novo prefeito precisa resolver a questao orçamentária em Nilópolis,para que os recursos sejam usados na educação, a fim de ampliar o número de alunos e dar qualidade ao ensino da cidade, que é precário, sofrível, com professores inclusive escrevendo istória, sem o H!!!!!!!!!!!
10) UM orçamento de 600 milhões, que tem o Município, creio que dá para fazer bastante coisa em 4 anos...
11) Então, bom trabalho prefeito.

04 outubro 2008

Eleições Amanhã

Amanhã é eleição municipal. Temos na cidade de Nilópolis três candidatos com reais chances de serem eleitos prefeitos desta cidade: Manoel NECA, Sergio SESSIM, Alessandro CALAZANS. É claro que não posso divulgar meu voto aqui, mas espero que esta cidade escolha aquele que pode tirar Nilópolis desta situação caótica em que vive: ruas intransitáveis (buracos, quebra-molas sem propósito), vias públicas sujas, escolas com tratamento zero, saúde doente, e...a cor da cidade, espero que o novo prefeito, seja ele quem for, mude isso.

25 setembro 2008

A Igreja tem cumprido seu papel?


Esta foi a pergunta do programa Antenados na Geral, que participei na tarde de quarta-feira, na TV Boas Novas, aqui no Rio canal 42. Estavam comigo o pr.Manassés da Assembléia de Deus e o pr.Jayrinho, também da Assembléia de Deus. Ao final da enquete feita no programa cerca de 58% disseram que não, que a Igreja não estava cumprindo o seu papel.

Confesso que durante um período do programa achei que estávamos como cachorros, correndo atrás do próprio rabo, dando voltas e falando a mesma coisa, com tons diferentes na voz.

A Igreja universal, aquela que chamamos de gloriosa, claro que cumpre seu papel. Claro que ela estará com Jesus. Claro, evidente que ela encontrará Jesus nos céus, ao soar da última trombeta. MAs esta pergunta que o programa trouxe a baila não tem a ver com esta Igreja, mas sim com as estruturas vigentes naquilo que hoje chamamos de movimento evangélico brasileiro.
Será que estamos, de fato, fazendo aquilo que agrada o coração de Deus? Será que temos sido sensíveis aos princípios fundamentais da Palavra de Deus.
Eu penso que a Igreja tem confundido show com adoração, tem confundido autoridade com autoritarismo e confundido amor e graça com manifestação barata de assistencialismo. Será que estamos nos trilhos, ou fora dele? Será que temos vivido com base num discipulado que altera o comportamento dos crentes já na segunda-feira, um dia após o culto, ou somos viciados na religião que "ordena, declara, decreta e faz"?
Não podemos esconder de nós mesmos aquilo que todos vêem. A Igreja tem gente santa, claro que sim! Este tema, contudo, só existe porque estamos falando de uma imensa massa de pessoas que aprendeu a frequentar cultos evangélicos como se frequenta um clube ou uma agremiação qualquer.
Pense nisso. E antes que alguém me acuse de falar mal da Igreja, digo que nao me julgue. Eu a amo, vivo nela durante a maior parte de minha existência, e pelo que vejo, os meus próximos passos, nos próximos anos, tem tudo a ver com ela.

20 setembro 2008

A quem interessar possa



No site da Igreja Bastista em Água Branca, São Paulo, pastoreada por Ed René Kivitz você encontrará diversas mensagem em MP3 que podem ser baixadas em seu compuador. Uma série especifica sobre os 7 pecados capitais são interessantíssimas, como não poderia deixar de ser as mensagens pregadas por este excelente pregador...e escritor. Vale a pena. Aí vai o link da Igreja http://www.ibab.com.br/.

13 setembro 2008

Nunca deixei de crer

Eu nunca deixei de crer nos milagres de Deus, mas desde que me entendo por crente, desconfiei de todas as publicidades que faziam dos que praticavam a cura. Me constrange ver que a propaganda de quem diz que cura é maior do aquele que de fato cura.
Eu nunca deixei de crer nas profecias de Deus, mas desde que me entendo por crente que fico perplexo com aqueles que dizem que falam em nome de Deus coisas que Ele jamais mandou que dissessem.
Eu nunca deixei de crer na necessidade da fé em Deus, mas desde que me entendo por crente, me escandalizo com aqueles que O desafiam apenas para provar para os outros que crêem. A fé que dizem ter é sempre maior do que a fé que os outros tem. Me assusto com quem tem fé-demais.
Eu nunca deixei de crer na Igreja de Deus, mas desde que me entendo por crente é que sinto o cheiro fedorento dos corredores das denominações, com negociatas políticas, propinas "santas", conluios em prol da sã doutrina e mesas diretoras com "irmãos" que não se suportam concorrendo aos cargos.
Eu nunca deixei de crer na Bíblia, mas desde que me entendo por crente, é que me enjoa facilmente ver pessoas usando o texto bíblico despudoradamente, como se fosse um pé de coelho, uma ferradura ou pior, um alquimista a procura de soluções transcendentais, misturando a fé evangélica com macumbaria, e à lá Vinicius de MOraes, "abrindo o neruda e apagando o sol, misturando poesia com cachaça e acabando discutindo futebol". Vacuidade, nada mais do que isso.
Eu nunca deixei de crer na necessidade de evangelização, mas desde que me entendo por crente, fico ruborizado em ver nossas ações serem todas para "ganhar os perdidos" e não para ser expressão da graça de Deus em abençoar pessoas, ajudar o próximo e alterar o status quo, dando um pouco mais de significado as palavras amor, graça e igreja. De certa forma somos tarados pelos perdidos, embora não sejamos de fato apaixonados por pessoas.
Eu nunca deixei de crer no amor, mas desde que me entendo por crente, percebi que falamos muito sobre ele, mas o praticamos quase nada. O amor é apenas um pretexto para algumas de nossas ações, ascenções e pretensões. Para muitos o amor é cântico, é culto, é encontro e abraço, nada mais do que isso. Amamos o mundo, amamos o não crente, amamos as almas perdidas, amamos até o limite de nossos mais íntimos interesses. O amor que muitos cultivam só tem nome, poucos endereços e uma enorme capacidade de desmentir-se.
Eu nunca deixei de crer no que creio, por isso que prefiro não surfar nas ondas do que sempre vi, elas não me levam no lugar onde tanto desejo: a mente de Cristo.

06 setembro 2008

Conselhos a meu filho adolescente


Querido filho, resolvi lhe falar algumas palavras. Já é meio tarde, é verdade, mas amanhã é sábado, e creio que posso dormir mais um pouco. Hoje estaria em Alagoas, se o convite não fosse cancelado na última hora. Bom para nós dois. Tá certo, voltaria já no domingo, mas dois dias para nós sempre são longos nestas viagens intermináveis.

Sabe filho, viva sua adolescência com toda a energia. Ria muito como é comum de sua idade, brinque o máximo que puder, faça amigos que dure até sua fase adulta, e some experiências ao máximo que conseguir.

Seja divertido, deboche da sisudez da vida, se escangalhe de rir das dificuldades que ficaram para trás e seja perspicaz na hora de contar coisas engraçadas. Quanto mais rápido você pensar, mais engraçado.

Seja sincero e sensível. Procure olhar para as pessoas e preocupar-se com elas. Pergunte como elas estão, chame-as pelo nome. Valorize os idosos, caminhe com eles, ouça seus conselhos, eles serão úteis.

Aproveite (sem querer legislar em causa própria) a presença de seu pai e de sua mãe. Curta a vida com eles ao máximo. Administre cada minuto conosco, de forma a não desperdiçar nada, nem se arrepender depois de não ter curtido tudo que podia.

Olha filho, cuidado com as amizades. Elas nem sempre são sinceras, e muitas vezes não são boas. Já conheci meninos que deixaram casa, pais, estudos, namoradas, por conta de amigos que os levaram aos piores descaminhos. Não os escolha e nem deixe que eles escolham você.

Cresça acreditando em Deus, vivendo com Ele experiências que serão úteis todos os dias da sua vida. Mas não seja religioso. Eu sei, eu sei, ser filho de pastor gera sempre uma responsabilidade a mais, no pensamento dos outros. Portanto saiba que para mim você é filho e não filho do pastor. Para Deus você é filho e não filho do pastor, portanto que os outros cobrem. Não ligue. Seja um apaixonado por Deus e jamais pela religião. Não se escravize por isso e não se encaixote na perspectiva alheia

Como você já me ouviu falar diversas vezes se desejar ser "evangélico", seja do Cristo, não das denominações rotulantes, nem das religiões frívolas dos dias atuais. Não se impressione com mega templos, multidões ou luzes, porque tudo isso para nada servirá no dia do juízo.

Eu sei filho que você irá crescer e com isso descobrirá muitas coisas acerca do mundo em que vivemos.
Descobrirá, por exemplo, que não se pode confiar em todos, e muito menos naqueles que aparentam mais piedade. Deteste pessoas que oram o dia inteiro, mas compram DVD pirata em nome de Jesus. Aborrreça daqueles que choram nos cânticos de comunhão no culto, mas usam a lingua afiada para "matar"o seu irmão.

Ao crescer filho tome muito cuidado com os abraços. Eles não dizem nada! Muito menos com os parabéns de todos. Você aprenderá, com a vida, que os verdadeiros amigos são aqueles que estarão com você em toda a caminhada, e não apenas quando as coisas vão realmente bem. Os amigos de verdade lhe dirão tudo que está errado e os amigos de mentira procurarão bajular-lhe.
Ah, filho, cuidado se você tornar-se uma figura pública. Isso demarca nossa vida. As pessoas sentem no direito de vigiar seus passos e tomar conta, de forma subliminar, de toda a sua caminhada. Serão poucos os que respeitarão isso, serão muitos os que atravessarão as fronteiras entre o bem vindo e o incoveniente.

Cuide do coração e principalmente dos relacionamentos que surgirão. Procure uma pessoa certa, faça de tudo para cuidar da melhor maneira possível aquela que você escolher para amar. Seja um bom pai, na hora certa, com a mulher certa, seja exemplo para ele.

Faça o bem filho. Parece pouco, ou nada diante de tantas necessidades, mas você verá que atravessar um cego no sinal pode ser sinal de paciência, resignação e bondade. Se todos forem iguais a você, sua geração será ainda mais maravilhosa.

Antes que eu esqueça, leia a Bíblia. Mas leia para valer. Ela só será comida e bebida se for aberta com fome e sede de Deus. Muitos usam a Bíblia, andam com ela, mas ela não muda nada na vida de muitas pessoas.

E lembre-se da experiência do rádio que contei no último sermão que você ouviu, naquele congresso. Não faça o que quer, não insista em viver com vontade propria. Submeta-se a Deus e deixe ele controlar as decisões importantes de sua vida.

Obrigado filho, porque hoje você já é muito do que tenho sonhado para você. E mais, você é para mim o sonho que todo o pai sonha ter.

Existem ainda mais conselhos, muito mais, que ao longo da vida fui aprendendo, com os meus erros e acertos, os erros foram fundamentais, porém, para crescer.

Filho não se esqueça: dê conselhos ao meu neto quando ele começar a compreender, do mesmo modo como você compreende hoje.

03 setembro 2008

Simplesmente Misericordiosos

Posto aqui o capítulo três do meu livro "Simplesmente Igreja", 2a edição que será lançado até o mês de outubro. Espero que gostem.
“Eu acho esse o mais precioso de todos os dons das listas bíblicas”
David Kornfield, no livro “Descobrindo Dons Espirituais e Equipes de Ministério”.

“Bem aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”. Jesus de Nazaré, no Sermao da Montanha.


CAPÍTULO TRÊS

SIMPLESMENTE MISERICORDIOSOS

“Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele que caiu na mão dos salteadores? Respondeu o doutor da Lei: aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe, pois, Jesus, vai e faze tu o mesmo”.[1]
Milhões de pessoas no mundo inteiro recorrem a terapeutas profissionais, no desejo de colocar em ordem as varias manifestações de enfermidades da alma.
Consultórios lotados, listas de pessoas carentes aumentando, vivendo os dramas da vida, que com a fragilidade emocional são impedidas de resolve-las, criando as patologias mais complexas.
Muitos não possuem amigos, nem em quem confiar. Experiências frustradas tornam tais pessoas cada vez mais amargas.
Este é sem duvida o retrato da sociedade pós-moderna: gente infeliz, adoentada, carente em suas necessidades emocionais e precisando de ajuda, de apoio e conforto.
É aí que acredito que a Igreja pode ser uma agencia do Reino de Deu agindo terapeuticamente na sociedade.
Como isso é possível? Como ela pode agir terapeuticamente na vida do individuo nos dias atuais? As palavras do experiente terapeuta americano Dr.Larry Crabb me impressionam pela luz no fim do túnel que ele enxerga:
“Ele (Deus) infundiu em nós uma energia capaz de curar as doenças da alma, uma força que entra em ação para operar os prodígios quando nos relacionamos uns com os outros de determinadas maneiras. A dificuldade é que não cremos nisso e, portanto, não refletimos muito sobre o assunto. Mas isso pode mudar [...] vislumbro uma comunidade de pessoas que deliberadamente se combinam em ambientes onde esses nutrientes são intercambiados, onde eu derramo em você os meios de cura que tenho em mim, e você derrama em mim o que Deus incutiu em você”.[2]
Como é possível tornar-se uma comunidade terapêutica na vida de homens e mulheres, tornando saudáveis a vida daqueles que nela comungam?
Para responder esta pergunta tomaremos como base o ministério de Jesus. Ele foi marcado por uma manifestação inquestionável da terapia divina na vida de muitas pessoas.
Nos anos de seu ministério aqui na terra, o Messias conseguiu aliar sinais e prodígios e atos de misericórdia.
Este é o modelo do Cristo. Muitos insistem em operar sinais, sem humildade, prodígios sem misericórdia e milagres sem louvor a Deus.
A Igreja de Jesus promove a reorganização do homem, nos vários sentidos e possibilidades.
Quero incentivar você querido leitor a dispor-se a agir, assim como Jesus, na restauração dos homens. Quero incentiva-lo a enxergar como a Igreja pode, na sua experiência diária, ser agente de saúde para o corpo e vida para os que encontrarem sua mensagem.
Para isso é fundamental compreender o ministério de Jesus de Nazaré. Algumas de suas experiências mais profundas servirão de alicerce para ensinamentos diversos à Igreja, num tempo de angustia na alma do povo. Como isso pode se dar?
A Igreja é uma comunidade terapêutica todas as vezes que é instrumento de Deus para minimizar o sofrimento humano
“Quanto a Jesus de Nazaré, como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda a parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.”[3]
Jesus andou por toda a parte fazendo o bem e curando toda a sorte de enfermos e dominados pelo diabo. À luz dos evangelhos, Jesus conseguiu transformar a dor, a solidão, o fracasso pessoal em bênçãos variadas. O que Lucas escreve em Atos é fruto das experiências vividas por Jesus em Seu ministério.
O autor de atos, que também escreveu um evangelho que leva o seu nome, registra com clareza impecável um pouco do que o Mestre fez:
“Pouco depois seguiu ele viagem para uma cidade chamada Naim; e iam com ele seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou perto da porta da cidade, eis que levaram para fora um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. Logo que o Senhor a viu, encheu-se de compaixão por ela e disse-lhe: Não chores! Entao, chegando-se, tocou no esquife e, quando pararam os que o levavam, disse: Moço, a ti te digo: levanta-te. O que estivera morto sentou-se começou a falar. Então Jesus o entregou a sua mãe.”[4]
Ao entrar na cidade chamada Naim, que ficava ao Sul da Galiléia, Jesus se depara com um dos momentos mais dolorosos na vida do ser humano, a morte. Mas não era um evento qualquer, ali estava o filho único de uma mulher, o que agiganta em dramaticidade aquela cena.
A viúva não tinha nome, não tinha identidade, o único registro é que ela chorava copiosamente a morte de seu filho. Pense na história desta mulher. Perdera o marido, agora o único filho.
Por muito menos pessoas perdem o sabor da vida, e a alegria por ela. Muitos se isolam num universo de tristeza e amargura. Aquela mulher estava fadada a este fim.
Diz o texto que Jesus sente compaixão, se aproxima e ressuscita o menino – mas a tônica de suas palavras é que de fato irão promover todo o milagre: Mulher, não chores! Sinais e prodígios, mas com misericórdia.
Quando a Igreja está disposta a gestos de misericórdia mais do que gestos espetaculares, demonstra desejar ser uma comunidade de ações restauradoras. Disposta a minimizar o sofrimento humano. Não foi à toa que o Mestre afirmou: “vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei”.[5]
Esta é uma geração de pessoas enfadadas, cansadas de tudo:de viver, de chorar e de sofrer. A Igreja precisa ter uma mensagem e uma atitude em relação a estes corações.
A mensagem é clara: Há consolo! A atitude é inquestionável: compaixão.
Quando alguém procura uma Igreja está a procura de compaixão – embora alguns escândalos que acabamos por provocar, como instituição, quando as pessoas procuram uma Igreja é porque estao cansadas e precisam de alguém que lhes demonstre compaixão.
É preciso olhar para as pessoas sofridas, no desejo mais amplo de poder abençoá-las, através da descoberta de um caminho de alegria no coração.
Ao olhar para o ministério de Jesus percebe-se uma preocupação do Mestre em ver pessoas que sofriam não sofrendo mais, em ver pessoas que choravam não chorando mais, em sentir compaixão pelos que gemiam na solidão da vida.
A Igreja é uma comunidade terapêutica todas as vezes que é instrumento de Deus para ministrar o perdão à vida das pessoas
“mas Jesus foi para o Monte das Oliveiras. Pela manhã cedo voltou ao templo, e todo o povo vinha ter com ele; e Jesus, sentando-se, o ensinava. Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. Ora Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu pois, o que dizes? Isto diziam eles, tentando-o para terem do que o acusar.
Jesus porém inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo. Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse-lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra. E tornando-se a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus e a mulher. Então perguntou a ela: Mulher onde estao os teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém Senhor. E disse-lhe Jesus: nem eu te condeno; vai e não peques mais”.[6]
A cena de Joao 8.1 a 11 é nublada. Uma multidão, uma mulher ao centro, porque era o centro da atenção da multidão, e Jesus.
O Filho de Deus estava diante de uma turba sem nome, sem identidade, sem caráter, e de uma mulher marcada pela vergonha e dor, condenada a morte.
A Lei era severa: “aquele que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher de seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera”.
Os que levaram à mulher a Jesus sabiam que a Lei deveria ser cumprida. Mas esta não era a intenção deles. Até porque para a Lei ser cumprida na íntegra faltava um personagem que eles não estavam nem um pouco preocupados em condenar. O que eles queriam era arrancar do Senhor uma decisão equivocada, para que pudessem encontrar uma falha.
Se o Mestre absolve a mulher, contraria a Lei, se a condena, contraria seus princípios de amor e misericórdia.
Jesus escreve no chão. Seus dedos rasgam a o chão batido, formando palavras que nunca foram reveladas. Enquanto isso, ao redor, os homens respiravam ódio, a mulher medo e o mundo espiritual vivia a expectativa de um ensinamento que atravessaria gerações.
Ele diz: “quem não tem pecado que atire a primeira pedra”. Nenhuma condenação. Nenhuma absolvição. Apenas cada um em seu lugar.
Diz o texto que um a um foi largando as pedras e deixando o tribunal montado na rua, em plena luz do dia, ficando somente o Mestre e a mulher pega em flagrante adultério.
Jesus a libera: “vai e não peques mais”. Este texto não fala de outra coisa senão de perdão.
Ser terapêutica envolve vencer pré-conceitos e ministrar perdão ao coração humano.
Tenho visto que, ao longo dos anos, perdemos mais pessoas porque nos intimidamos diante da necessidade em ministrar perdão. Em nome da manutenção de ministérios, de ministros ou instituições, vemos pessoas capazes, piedosas, mas que foram tragadas pelo poder avassalador do pecado foram tratadas como escória de tudo e de todos, desapareceram da cena evangélica, simplesmente porque não encontrou o caminho restaurador do perdão.
A mulher descrita no capitulo 8 de João é posta no meio de todos. Até chegar ali é bem possível que já tivesse passado pelo corredor da vergonha, sendo cuspida, maltratada e envergonhada até o limite da honra que uma pessoa pode suportar. Além disso teria que conviver com as marcas incorrigíveis que ficariam na memória.
É aí que a Igreja se torna uma comunidade de misericórdia, quando reafirma o direito de todos de um re-começo, exatamente como o Filho de Deus fez.
Quantos hoje que conosco estão não são frutos do amor encontrado, da compaixão compartilhada e da força emergente maior que toda a opressão maligna que opera sobre a vida dos “devedores”?
Num outro precioso livro do Dr.Larry Crabb, “O silêncio de Adão”, numa de suas páginas, o autor descreve um discurso de um pai para com o filho, demonstrando todo seu cuidado e preocupação.
Rapidamente me fez lembrar como Deus nos compreende e age em favor de seus filhos, em meio a torrente de nossas fragilidades.
No texto de Crabb o pai se harmoniza, desce ao tamanho do filho e as carências da alma e os fracassos da vida. Deus não é fraco, não tem as mesmas fraquezas que nós, mas sabe o que somos, como somos e porque somos assim:
“A mensagem do pai piedoso é ouvida pelo filho: ‘Você não está sozinho. Estou ouvindo. Ouço sua dor. Eu nunca lhe contei os detalhes de minha batalha com a lascívia, cobiça e orgulho, e você nunca me contou as suas. Mas sei que elas estao aí. Nada me chocaria. Eu também sou homem. E nada coloca você além do alcance do amor de Deus. Sua graça é tão maior do que o nosso pecado quanto a Terra é maior do que um grão de areia. Somos ambos homens decaídos que ainda não foram livrados da presença do pecado. Sei que a vida é dura, às vezes apavorante, muitas vezes indizivelmente dolorosa. Eu sofro com você, quando você se preocupa com o problema de dinheiro, decepções na carreira, problemas na família. Sinto o peso de suas perguntas e orações respondidas; conheço a escuridão que você sempre enfrenta. Mas sei o que Deus prometeu fazer. Portanto posso ouvir sobre seus problemas sem cair aos pedaços ou precisar salvá-lo. Em suas alegrias e tristezas, eu lhe dou a minha presença. Estou com você!”.[7]
Deus também está conosco nos momentos mais dolorosos de nossa vida.
O perdão é restaurador. Quando a igreja descobrir o valor e o alto preço do perdão seremos capazes de olhar para os que erram como instrumentos de Deus, para trazê-los de volta do mundo da vergonha, da dor e da humilhação, para a convivência sadia com os outros.
Perdão é para ser ministrado a gente quebrantada, humilhada e sofrida pelo próprio erro.
Mais uma vez a sobriedade e serenidade de Brenan Manning me salta aos olhos:
Quando vemos o Mestre perdoar a prostituta e absolver todos os seus pecados em virtude de seu grande amor (Lc 7.47), percebemos a alegria de Deus nos encontrando novamente. Descobrimos que essa alegria é capaz de soterrar todo o mal que cometemos. Podemos finalmente parar de nos preocupar com o passado, com extensão de nossa culpa, e com os limites do amor e da misericórdia.”[8]
O cantor e compositor Sergio Pimenta, pouco antes de sua morte, ainda no leito do hospital, compôs uma canção de inefável sensibilidade, onde afirmava que só sabe a dor quem já sofreu. Só quem sofreu, dizia ele, sabe avaliar quem sofreu.
Só quem errou é capaz ou é capaz de errar sabe avaliar a dor e o peso de um tropeço. Eu já senti esta dor, e por diversas vezes posso dizer, por isso sei o tamanho da dor dos que precisam.
A igreja é uma comunidade terapêutica todas as vezes que é instrumento de Deus para o consolo e conforto do ser humano
“Disse Jesus à mulher: Não chores!” (Lucas 7.13)
Já deu para perceber o quanto as pessoas estao feridas, não deu? Estão vivendo uma sensibilidade a flor da pele, intocável e quase que incurável.
Sofrimento que as tem transformado em zumbis, caminhando sem direção. O índice de suicídios tem aumentado a cada dia. O sofrimento tem chegado as raias da loucura.
Homens, mulheres, jovens, adultos, se encontram num beco de emoções mal tratadas. São vasculhadas pela vida e despidas de fora para dentro e de dentro para fora, ficando a mercê de todas as setas, se vendo num raio x emocional, onde tudo obrigatoriamente é revelado.
A tônica do Filho de Deus era consolar e confortar o coração das pessoas.
Mais uma vez volto a mulher da cidade de Naim. Ao vê-la Jesus lhe dá logo uma palavra de conso: “Não chores!”. Antes de ir à casa de Jairo ressuscitar sua filha afirmou aos que estavam ao redor: “Por que fazeis alvoroço e chorais? A menina não está morta apenas dorme!”.[9]
Esta é a mensagem (e antes que me acusem de sugerir que as pessoas não podem chorar, afirmo que a intenção aqui é de que há esperança em meios as nossas lágrimas, inclusive as minhas) que a Igreja deve anunciar aos que sofrem. Palavras de conforto, de consolo, de ânimo para todos que vivem neste mundo decaído.
Precisamos dizer às pessoas que elas possuem um valor especial para Deus e para os outros.
Nós possuímos esta mensagem: as pessoas são alguém. Há muitos que se acham fracassados antes de tentarem, e nós podemos ser agentes de Deus para ajuda-los a chegar no fim da história como vitoriosos.
A igreja é esta comunidade terapêutica ao descobrir que tem o poder de consolar os que estão caídos dentro de um universo de “pequeno polegar”. Somos a comunidade de Deus quando decidimos consolar milhares que caíram no buraco negro do fracasso existencial.
Quanto mais leio sobre o ministério de Jesus, mas me convenço que suas mensagens e atitudes não tinham outro objetivo, senão arrancar do peito dos que lhe ouviam todo tipo de fracasso ou pensamento que esvaziasse o sabor pela vida.
Basta olhar para os discípulos de Jesus e perceberemos que Ele os tirou de uma vida anônima e sem graça e os fez participantes de uma história com significado para a humanidade.
Mateus era um cobrador de impostos cuja profissão era tão desprezível que nem penitência era aceita pelos seus pecados, afirma o historiador Joaquim Jeremias.[10] Contudo, através do Cristo ele se torna autor de um dos evangelhos mais lidos em toda a terra.
Pedro era um pescador rude, truculento, mas que depois de um encontro pessoal e transformador com o Mestre, tornou-se um mártir e um poderoso pregador do Evangelho.
Estes exemplos importam para dizer que a Igreja tem esta mensagem, de que o homem pode livrar-se de todo o peso e desconforto que encontra na vida, encontrando-se com Deus. Mas a Igreja não basta apenas saber desta verdade, é necessário vivê-la, experimentá-la e anunciá-la.
A igreja é uma comunidade terapêutica quando é instrumento para promover o renascimento e a igualdade entre os homens
Dois anos depois retornei a Igreja de negros que havia visitado nos Estados Unidos, para participar da celebração pela manhã. Mais uma vez me deparei com as músicas repletas de alegria e uma pregação vibrante, emocionada e profunda.
Fui transportado ao Mississipi, da década de 50, cidade ao Sul do país, onde os filmes retratavam a rica cultura litúrgica dos negros americanos.
Entretanto , ao mesmo tempo em que desfrutava daqueles momentos de alegria, sentia uma sensação de frustração por lembrar que muitas vezes a Igreja, nos Estados Unidos mesmo, confundiu-se em meio as lutas entre brancos e negros.
A igreja concretizou um pecado histórico, dividiu-se entre brancos e negros, ricos e pobres, cultos e ignorantes. Foi tomada por um espírito “judaico-cristão”, e muitos não conseguiram conviver com os samaritanos modernos.
Não foi assim com Jesus. No ministério do Filho de Deus encarnado como homem, o espaço para a igualdade se tornou a melhor terapia para os grupos fracassados, expoliados e necessitados.
Basta olharmos com atenção para o Novo Testamento, e encontraremos nos evangelhos Jesus pondo em lugar de honra as pessoas que ele considerava especiais.
Para Ele todos poderiam se tornar filhos de Deus. Paulo interpreta o modelo do Cristo da seguinte forma: “não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo ou livre, mas Cristo é tudo em todos”.
O comentarista Ralph Martin diz que “de modo magnífico, todas estas estratificações e hostilidades sociais são removidos na asseveração de que Cristo é tudo que os homens precisam para entrarem num mundo novo, e Ele está em todos, independentemente da sua condição anterior no mundo antigo”.[11]
Na Igreja a igualdade é marcada pela igualdade no batismo de Cristo e não pelas posições sociais alcançadas, visão que certamente Paulo aprendera com o Filho de Deus.
A sociedade moderna (e até pessoas dentro da Igreja), desfaz, humilha, esquece de todos aqueles que se tornam minoria ou que não encontraram seu espaço entre os “normais”.
Na igreja de Cristo há de ser diferente. A marca do cristão do Cristo é promover entre todos um sentimento de solidariedade , capaz de afugentar o triste e pavoroso fantasma da solidão existencial.
Diga-me, não é terapêutico este tratamento? Cuidar das pessoas tornando-as iguais?
Em Lucas 10.25-35, Jesus narra a parábola conhecida como a do “Bom Samaritano”. No texto é ressaltado que o Samaritano não deteve-se por conta da religião de fazer o bem ao homem caído na estrada.
Contudo, o grande conflito (Jesus estava num debate teológico com o doutor da Lei) não era a respeito do moribundo, mas sim da presença caridosa do Samaritano.
Jesus o vê como igual, como ser humano, independente das diferenças sociais ou religiosas que ele carregava.
Talvez fosse sobre esse assunto que ele pensou ao escrever a trilogia dos perdidos, também no livro de Lucas, no capítulo 15.
Destacam-se três personagens: o pastor das ovelhas, a mulher das moedas e o pai dos jovens.
Para cada um desses havia algo perdido. Para o pastor das cem ovelhas, uma estava perdida, ou seja um por cento do seu rebanho. Para a mulher das dez moedas que possuía, uma se perdeu, numa matemática simples, dez por cento das moedas estava perdido. E por fim, para o homem que tinha dois filhos e vê um se perder, ele havia de fato ter visto ir embora cinqüenta por cento dos seus rebentos.
A matemática é fria, o cálculo é exato. Para um materialista ou calculista frio, quem menos perdeu foi o pastor que entre cem ovelhas, apenas uma foi embora, o que não precisaria nenhum esforço para recuperá-la.
Não era assim para Jesus. Não importa se são um, dez ou cinqüenta por cento, se está perdido é preciso fazer de tudo para resgatar.
A Igreja é uma comunidade terapêutica exatamente quando afirma a possibilidade das pessoas renascerem e serem iguais.
É no Corpo de Cristo e, somente nele, que há espaços para assentarem-se à mesa engenheiros, doutores, serventes ou faxineiros, cultos ou ignorantes. Somente na igreja de Cristo é que podemos cuidar dos solitários, abandonados e os marginalizados pela vida, tornando-os cidadãos do mundo e cidadãos dos céus.
Eu penso numa Igreja assim, pela simples razão de crer num Jesus assim.
Recomeços para quem chegou ao Fim da Linha
Acredito numa igreja que pode se tornar o hospital emocional mais significativo da sociedade. Não um que hospede apenas loucos, condicionado a valores abstratos, sem comunicação com o nada. Mas sim capaz de promover a libertação, através da mensagem de Cristo, de muitas pessoas que a ela se aproximam.
Será utopia sonhar assim, mas não é para isso que existe a Igreja?
Creio que sim, porque ela não é o Rotary, ao contrário, é uma comunidade de pessoas que, por força espiritual, já tiveram uma experiência de aconchego por parte de alguém muito especial, que é Deus.
Quantos na igreja que pastoreei chegaram bêbados, tortos, semi-mortos? Uma dessas ovelhas um dia me disse: “eu era temido por todos, mas nunca respeitado. Quando encontrei-me com Jesus passei a ser respeitado, e nunca mais temido”.
Quantos que foram expostos ao pecado, à queda, a dor, a humilhação, e foi no aconchego da igreja que encontraram razão de continuar a caminhada?
Foi no calor dos que já sentiram a cor da dor que resolveram insistir com a vida.
Permita-me fazer uma pergunta no final deste capítulo: como você enxerga a sua igreja? Pare, pense e avalie agora, depois responda. Mas cuidado para não avaliar a luz dos outros, espero que você seja sincero e honesto a ponto de avaliar a luz de você mesmo, a ponto de desejar ser instrumento de Deus para fazer de sua igreja uma comunidade de misericórdia.
Num tempo como este em que estamos vivendo, agitado mas solitário, onde amigos são raros e conselhos escassos, a Igreja tem nas mãos a responsabilidade de ser um hospital dos corações humanos, gerando vida, alegria, paz e sentimento de vitória na história humana.
Contudo, não é uma vitória ufanista, onde decretamos e ordenamos Deus produzir sucessos repentinos, como se lidássemos com Aladim e a Lâmpada Mágica.
Falo de uma igreja que consegue olhar para o ministério de Jesus e perceber o quanto ele está próximo de quem não possui nada nem ninguém por perto.
É deste modo de enxergar o cristianismo que escrevo. É neste desejo intenso que sonho em uma igreja que seja capaz de dar uma “mãozinha” a quem deseja, com uma intensidade maior: descer ao tanque Betesda.
“Queres ficar são? Perguntou-lhe. Respondeu o enfermo: Senhor não tenho ninguém que, ao ser agitado a água, me ponha no tanque; assim, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Disse-lhe Jesus: Levanta-te toma o teu leito e anda. Imediatamente o homem ficou são...” .[12]
Que o avivamento da misericórdia aconteça!
[1] Lucas 10.36,37
[2] Crabb, LArry – Conexão, Mundo Cristão, pp. 12-13
[3] Atos 10.38
[4] Lucas 7.11-17
[5] Mateus 11.28
[6] João 8.1-11
[7] Crabb, Larry – O Silêncio de Adão, Sepal, pág.202.
[8] Manning, Brenan – Convite a Loucura, pags. 93,94.
[9] Mateus 9.18-26
[10] Jeremias, Joaquim – Jerusalém nos dias de Jesus, Edições Paulinas
[11] Martin, Ralph – Colossenses e Filemon, Mundo Cristão, pág, 119.
[12] João 5.7-9

29 agosto 2008

Cada um tem o evangelho que merece

Já algum tempo tenho compartilhado neste blog minhas sucessivas reflexões sobre o evangelho vivido pelos evangélicos no Brasil neste tempo. É bem verdade, para ser honesto com o evangélico brasileiro, que este fenômeno de transição entre as mensagens variadas que povoam a mente de todos não é uma particularidade tupiniquim. Nem poderia.
Muito do que temos aqui, há mais de cem anos, tem ligação direta com "produtos" importados, seja vindo dos Estados Unidos, Coréia, Argentina, Colômbia, Nigéria ou em qualquer lugar que um movimento cristão esteja tendo sucesso.
Digo sucesso diante do fato de ver igrejas repletas de pessoas, programas variados e métodos copiados e ampliados.
Veja se não é assim. Dos Estados Unidos importamos Benny Hinn, Rick Warren, da Coréia as orações específicas de Paul (ou David, ou Paul, não, não é David...ah,virou Paul de novo? Nossa! Niguém avisa!) Yong Choo, da Argentina os salmos de Juan Carlos Ortiz e apóstolos que surgiram em profusão. Da Colômbia trouxemos Cesar Castellãno e o G12, que deixou o nome de lado, tamanha a confusão que gerou em terras verde amarelas, e por aí vão nossos avivamentos importados.
Entretanto, a essência do evangelho vai ficando em segundo plano.
Quando leio os evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João, me deparo com uma mensagem única e corajosa. Não há métodos, não há políticas, não há estruturas, nem juntas, há apenas o amor de um homem pela humanidade, sendo verbalizado das maneiras mais distintas.
Jesus afirmou à mulher que perdera seu filho: Não Chores! À filha do homem que chorava, levanta e come! A multidão que o assistia Jesus as alimentou, tanto com o pão dos céus, como com o pão da mesa.
O evangelho do Nazareno era simples. Continha uma lei "amarás ao Senhor teu Deus acima de todas as coisas, e ao teu próximo como a ti mesmo", sentenciou. Suas mensagens não tinham nada de mirabolante. Embora muitos o vejam como o "Maior Psicólogo da Terra", ou ainda "O Maior Líder de Todos", ele se apresentava como aquele "que veio para servir e não ser servido".
O Filho de Deus deixa o legado de um evangelho sem modismos. Sua mensagem incluía a graça para os necessitados e a paz para os aflitos.
Jesus nunca falou em avivamentos dos números, "dois ou três" já eram suficientes para se ver a presença de Deus e consequentemente sua glória. Hoje, cultos vazios são sinais de ausência do poder do Altíssimo em alguns lugares, para algumas teologias e principalmente para alguns pastores.
Sua pregação era simples, o seu grande alvo era ser entendido, por isso tudo que dizia era "em verdade, em verdade".
Hoje em dia vivemos o evangelho do mundo gospel. Infelizmente não conseguimos distinguir o que é do mundo e o que é do gospel, pelo simples motivo de não sabermos bem o que é gospel e o que de fato é mundo.
Isto porque o mundo que se chama gospel virou mais mundo do que gospel. Haja vista que os pastores agora cobram cachês para pregar, os cantores evangélicos introduziram uma interpretação absolutamente interesseira ao termo "levita" e as Igrejas se tornaram mais shopping centers do que comunidades de expressão de graça e amor.
As rádios evangélicas tocam todo o tipo de música evangélica, desde que o interesse de vender os CDs sejam alcançados. Os livreiros evangélicos comemoram o mercado abarrotado de mercadorias e as feiras, expos, etc, se orgulham de vender milhões em artigos evangélicos, que vão desde camisetas cristãs a dentaduras evangélicas.
Que evangelho é esse que muitos gostam e estão vivendo? Na verdade isso não importa nem mesmo a resposta, as pessoas escolhem aquilo que desejam, afinal de contas, cada um tem o evangelho que merece.